Em meio a toda a alegria que os eleitores viveram no último domingo, 25 de outubro, com a reeleição de Lula e o que se convencionou denominar de vitória da democracia, tive uma única tristeza: neste mesmo dia, há 50 anos, o jornalista Vladimir Herzog era assassinado nos porões da ditadura, pelos policiais do DOPS paulista, no que se tentou fazer passar como um suicídio. Um dos responsáveis por este crime foi o Coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, comandante das dependências do DOI CODI em que o assassinato do jornalista da TV Cultura de São Paulo, ocorreu, seguido, logo depois, pelo assassinato do sindicalista Manoel Fiel Filho. Tudo isso em 1975. Infelizmente, na passagem deste meio século dos crimes, ninguém se lembrou de evocar o nome do jornalista, cuja morte desencadeou a primeira grande onda de resistência contra a ditadura, liderada, antes de mais nada, pelo presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de São Paulo, Audálio Dantas, com o apoio do rabino Henry Sobel, da comunidade judaica, e do arcebispo metropolitano de São Paulo, Dom Paulo Evaristo Arns. Audálio Dantas negou-se a corroborar a tese do suicídio. O rabino permitiu o enterro de Herzog no cemitério judaico, o que evidenciava que também ali a tese do suicídio era rechaçada. Dom Paulo fez rezar missa de corpo presente na catedral. Assim começava a derrocada da ditadura, porque o General Ernesto Geisel, ditador de plantão, resolveu demitir o chefe do II Exército de São Paulo que, de seu lado, tentou dar um golpe no governo.
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