A dramaturgia de Eurípides é considerada a gênese do drama contemporâneo. Seus personagens, dentre os quais Medeia, defendem sua individualidade. Talvez por isso, aquela figura tenha alcançado uma repercussão tão grande entre os dramaturgos do mundo antigo, além dos gregos. Só entre os dramaturgos latinos, cerca de dez autores trouxeram à cena, sob perspectivas as mais diversas, a história da princesa da Cólquida. A versão de Sêneca é caracterizada pela ênfase na figura da mãe dolorosa, mais do que a princesa errante, que marca outros textos. Sempre houve, contudo, uma tradição de que os textos de Sêneca, por sua violência naturalista exacerbada, não seriam encenáveis. Parece que o diretor Gabriel Villela não acreditou nisso e ousou concretizar a encenação deste texto. O resultado, em hora e meia de espetáculo a que assistimos no Teatro Simões Lopes Neto, é altamente impactante e inesquecível.
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