Passado o segundo turno das eleições, e já com novo presidente eleito neste domingo 25 de outubro, o Congresso Nacional agora entra em uma etapa decisiva para definir questões que poderão influenciar o início do próximo governo. Câmara e Senado terão de conciliar projetos pendentes, negociações partidárias e a votação de matérias com impacto econômico e social. Mais do que concluir a agenda de 2026, as decisões desse período ajudarão a estabelecer as condições políticas para 2027.
Orçamento será o primeiro grande desafio
A votação do Orçamento da União de 2027 estará entre as prioridades do Congresso. O documento define a distribuição dos recursos federais para áreas como saúde, educação, segurança pública, infraestrutura e programas sociais. A disputa envolverá a necessidade de equilibrar as contas públicas com a manutenção de serviços e investimentos. Deputados e senadores também buscarão garantir recursos para suas bases eleitorais. Ao futuro presidente caberá negociar prioridades e evitar que limitações orçamentárias comprometam compromissos assumidos durante a campanha. Dependendo da forma como o orçamento for aprovado, poderá ampliar ou restringir a margem de atuação do Executivo nos primeiros meses do mandato.
Segurança pública exige consenso
A PEC da Segurança Pública é outro tema relevante. A proposta passou pela Câmara, mas teve sua votação em plenário no Senado adiada em outubro, em meio a divergências sobre emendas e questões relacionadas à maioridade penal. A retomada da discussão dependerá de acordos entre governo, oposição e lideranças parlamentares. O debate envolve a integração das forças policiais, as responsabilidades dos entes federativos e o combate ao crime organizado. Avançar nessa pauta será um teste para a capacidade de negociação do novo governo em uma área de grande preocupação da população.
Emprego e direitos sociais na agenda
No campo do trabalho, o fim da escala 6x1 deverá continuar no debate público, sobretudo pelos efeitos sobre trabalhadores e empresas. Com a medida já promulgada, a atenção se volta à aplicação das novas regras e às consequências para a economia. Outras propostas, como a regulamentação da inteligência artificial e iniciativas relacionadas ao transporte coletivo, também poderão disputar espaço, conforme o andamento dos projetos e os acordos entre partidos.
Sem socorro a banqueiros
O deputado federal Pompeo de Mattos (PDT-RS) criticou um projeto de lei que estabelece novas regras para instituições financeiras. Segundo o pedetista, a proposta abre caminho para "mecanismos de socorro a bancos em dificuldade com dinheiro público". Em tom de indignação, o parlamentar criticou a possibilidade de repassar os prejuízos do setor privado aos contribuintes. "É muito fácil ficar com o lucro e dividir a conta com os outros", disparou. Pompeo defende a derrubada da medida argumentando que "banco que quebra não pode jogar a conta no colo do povo" e que "dinheiro público é para cuidar das pessoas, não para salvar banqueiro quebrado".