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Repórter Brasília
Edgar Lisboa

Edgar Lisboa

Publicada em 05 de Outubro de 2026 às 00:25

Depois das urnas, a prova de fogo será a economia

Congresso Federal

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/Antônio Cruz/Agência Brasil/JC
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O novo Congresso terá de olhar para a indústria e para um Rio Grande do Sul que ainda precisa reconstruir. A eleição terminou, as urnas deram seu recado e começa agora uma etapa decisiva para o futuro econômico do Brasil e, particularmente, do Rio Grande do Sul. Mais importante do que saber quem venceu ou perdeu, será acompanhar o que os eleitos farão com o poder recebido.

Influência sobre orçamento

O novo Congresso terá influência sobre orçamento, legislação, investimentos e políticas públicas. Para o Rio Grande, a responsabilidade chega acompanhada de uma realidade que não permite espera: reconstruir o que foi destruído pelas enchentes, recuperar a capacidade produtiva e criar condições para que a indústria volte a investir.

A indústria acende o alerta

O sinal veio às vésperas da eleição. Pesquisa da Fiergs mostra que a produção industrial gaúcha caiu em agosto para 44,2 pontos, o maior recuo de 2026. O emprego industrial completou 15 meses de retração, e a utilização da capacidade instalada caiu para 69%. Ainda mais preocupante é a disposição para investir. A intenção de investimento recuou para 48,7 pontos em setembro, o menor nível desde julho de 2020. As expectativas para demanda, emprego, compras de matérias-primas e exportações também permanecem abaixo de 50 pontos, revelando cautela entre os empresários.

Há reação, mas é frágil

O cenário não é de paralisia. A Fiergs projeta crescimento de 2,2% para o PIB gaúcho em 2026 e estima em US$ 16,9 bilhões as exportações da indústria de transformação. No primeiro semestre, as vendas externas industriais cresceram 1,4%, chegando a US$ 7,8 bilhões. São números que mostram capacidade de reação. Mas existe uma contradição: o Estado produz e exporta enquanto parte do setor produtivo adia investimentos diante dos juros elevados, do crédito restritivo e das incertezas econômicas e internacionais; e é nessa diferença entre potencial e realidade que a política terá de atuar.

A bancada gaúcha será cobrada

A nova bancada federal do Rio Grande do Sul chega a Brasília diante de uma agenda que ultrapassa a polarização nacional. No Senado, haverá renovação em duas cadeiras. Paulo Paim (PT) e Luis Carlos Heinze (PP) não disputaram a reeleição, enquanto Hamilton Mourão (Republicanos) mantém mandato até 2031. Independentemente de partidos e posições ideológicas, a pergunta será a mesma: qual será a agenda do Rio Grande em Brasília?

A eleição acabou e cobrança começa

O cientista político Lúcio Rennó, da Universidade de Brasília, chama atenção para o crescimento da influência do Legislativo sobre as políticas públicas e o Orçamento. A consequência é clara: acompanhar os mandatos de deputados e senadores será cada vez mais importante. Para o Rio Grande, a cobrança precisa ser objetiva: quais projetos serão defendidos? Que investimentos virão para o Estado? Como a bancada atuará na reconstrução? O que será feito para estimular a indústria, recuperar empregos, ampliar exportações e criar ambiente para novos investimentos?

As urnas encerraram uma disputa, mas abriram outra etapa

O desafio agora é transformar o voto em resultado. Para um Rio Grande do Sul que já sofreu demais e ainda precisa reconstruir muito, resultado tem nome: desenvolvimento.

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