O ano de 2024 entrará para a história do Rio Grande do Sul como mais um momento em que fomos postos à prova de toda e qualquer resistência. Recém-saídos de uma pandemia, em maio uma tragédia climática e de consequências traumáticas para nossas cidades e nossas vidas, provocou algumas reflexões. E ninguém melhor do que o artista visual Leandro Selistre (acima) explicitou a sensação do que foi vivido em Porto Alegre por ocasião da enchente de maio.
Na tentativa de entender o ocorrido, Selistre saiu para as ruas e vivenciou de perto até onde a água do Guaíba chegou pelas marcas visíveis que ficaram nas paredes de prédios, casas e monumentos. O impacto de seus registros ao lado da altura das marcas se multiplicou, tomou a cidade e ressignificou espaços emblemáticos de Porto Alegre.
No Mercado Público, o artista fez sua primeira foto encostado numa parede, o que acabou gerando a ideia do ensaio todo que passou a se chamar Marca D'água. Nada mais expressivo do que as imagens captadas por ele e sua equipe de fotógrafos pelos diversos bairros de Porto Alegre. Foram mais de 600 fotos que serão selecionadas e estarão na publicação a ser lançada em 2025, com textos e comentários sobre o ocorrido.
O diretor do Margs, Francisco Dalcol, gostou tanto do registro de Leandro na frente do museu, que acabou inserindo na mostra Post Scriptum, em cartaz até março de 2025, na entrada da exposição, a imagem retratando o efeito das águas no prédio, em seu acervo e na cidade. Para que não se repita nunca mais.
O que vem por aí
Um novo ano inteiramente disponível e em branco para ser preenchido por bons momentos, melhores atitudes, maiores cuidados, menos desavenças, mais atenção ao meio ambiente, generosidade, desprendimento, renovações, espíritos menos egoístas, ações inclusivas e de solidariedade. Que possamos gerar uma agenda política construtiva que contemple a coletividade. Feliz Ano Novo!