Qual é o impacto de uma enchente para um negócio que nasceu no digital, foi precursor na importação de eletrodomésticos e acabou sofrendo não pela concorrência online, mas pelo desafio climático? Esse é o caso da EXS Eletrodomésticos, veterana no varejo de equipamentos de alto padrão, com um portfólio majoritariamente composto por marcas importadas, entre europeias e norte-americanas, voltadas a projetos de cozinhas sofisticadas. "Sofremos como quase todos no Quarto Distrito. A água atingiu um metro e destruiu a loja", conta o proprietário José Fernando Gay. "Tivemos de redesenhar, em mais de um ano entre projeto e construção. A EXS foi toda repaginada", destaca Gay. Um detalhe, que se repete em muitos varejos da região, é que os móveis foram projetados para ter mobilidade, para serem rapidamente removidos em caso de novo evento climático. O espaço também foi ampliado, com mais de 400 metros quadrados de área de loja. "Temos produtos italianos, portugueses e brasileiros, todos com curadoria para estar aqui no showroom. Além disso, conseguimos ter todos instalados para mostrar a funcionalidade para quem busca as soluções", destaca o varejista. A enchente funcionou como catalisador de uma transformação mais profunda — obrigando o negócio a repensar não só o espaço físico, mas também sua proposta de valor diante de um novo cenário urbano, climático e de consumo. A virada de chave aconteceu entre setembro e outubro e já trouxe impacto direto nas vendas, segundo o proprietário. O crescimento na demanda é acima de 20%, associada à nova forma de exposição dos produtos, que passou a permitir que o cliente não apenas veja, mas compreenda o funcionamento dos eletrodomésticos. "Podemos mostrar como são os acionamentos automáticos", cita demonstrando fogões e fornos. Gay lembra que, quando iniciou as importações, no começo dos anos 1990, o cenário era outro. Havia pouca diversidade de marcas e a logística era muito mais complexa. Ainda assim, foi justamente nesse contexto que ele construiu e consolidou o negócio, que depois migrou para o físico, para poder mostrar as linhas e ganhar mercado. O desafio, segundo ele, é trazer diferenciais reais: entender o que o cliente busca, captar a demanda e apresentar soluções de forma ágil. Nesse processo, a equipe de vendas e o pós-venda da IXS são decisivos para o desempenho da operação. A loja permanece na mesma sede — um espaço que, à primeira vista, causa estranhamento pela fachada totalmente preta. Mas, ao entrar, a percepção muda completamente. O ambiente rompe com a ideia tradicional de uma loja de eletrodomésticos e aposta no conhecimento técnico como principal ativo. Outro ponto destacado pelo empresário é a transformação do papel da cozinha dentro das residências. Ela deixou de ser um espaço escondido e sujo e passou a dividir o protagonismo com a sala de estar. Assim, vender eletrodomésticos hoje não se restringe mais à cozinha e envolve harmonizar com outros espaços da casa, dá a dica o varejista.
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