O nível de contas em atraso e outros débitos vencidos que geram pendências em bancos e cartórios não para de crescer no Rio Grande do Sul. Os dados mais recentes, referentes a maio, mostram que a escalada da inadimplência mantém o ritmo ascendente. O Indicador da Inadimplência da CDL Porto Alegre mostra que, além de mais pessoas físicas na Capital e no Estado entrarem na lista de inadimplentes, também houve retorno da alta na porção de empresas com atrasos em território estadual.
LEIA MAIS: Com juro subindo, inadimplência bate novo recorde no RS
"O ambiente de negócios enfrenta obstáculos como crédito caro, elevação de impostos e impactos remanescentes da enchente de 2024”, elenca o economista-chefe da CDL-POA, Oscar Frank, em nota, para traduzir o que está por trás das taxas ascendentes.
A série é baseada nos dados da Equifax/Boa Vista, serviço que é usado para análise e aprovação de crédito para varejistas. A fatia de consumidores residentes no Rio Grande do Sul com atraso de contas passou a 34,78%, mais de um terço das pessoas acima de 18 anos, 0,51 ponto percentual superior ao de abril, que ficou em 34,27%.
Em Porto Alegre, o indicador rompeu a barreira de 35%, chegando a 35,21% (mais 0,37 ponto), depois de bater em 34,84% no mês anterior. Na Capital, destacou a CDL-POA, a elevação completa 11 meses consecutivos.
São quase 3 milhões de CPFs inadimplentes no Estado, e 378,4 mil entre porto-alegrenses.
Nas pessoas jurídicas, os atrasos passaram a uma fatia de 14,94% no Estado, ante 14,18% de abril (alta de 0,76 p.p.), acima do recorde que foi registrado em março, de 14,72%. Entre as operações porto-alegrenses, o indicador saltou de 15,38% para 15,51% (+0,13 p.p.). A entidade projeta que são 227 mil CNPJs inadimplentes no Estado, sendo 37,9 mil na Capital.
Frank cita "influência de juros elevados (puxados pela taca Selic, com aumentos sucessivos), inflação persistente (deve fechar este acima de 2024) e um cenário econômico fragilizado por sucessivos eventos climáticos e incertezas externas". O economista observa que mesmo mercado de trabalho mais aquecido e ações do governo para injetar recursos não vêm tendo efeitos para reverter o endividamento das famílias.
A conjuntura de juros não deve ter alteração em louco tempo, avaliou Frank, mesmo que haja alguma interrupção na sequência de alta pelo Comitê de Política Monetária (Copom), ligado ao Banco Central.