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Jaime Cimenti

Jaime Cimenti

Publicada em 10 de Setembro de 2026 às 18:00

Identidade, comunidade e o sonho americano

pessoas boas

pessoas boas

EDITORA INTRÍNSECA/DIVULGAÇÃO/JC
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Jaime Cimenti
Pessoas boas (Editora Intrínseca, 416 p., R$ 79,90, tradução de Débora Landsberg) é o grande romance de estreia de Patmeena Sabit, nascida em Cabul, refugiada com a família  no Paquistão e depois  radicada em Virgínia,  nos Estados Unidos, onde cresceu.  Hoje mora em Toronto, Canadá e seu livro foi considerado pelo The Guardian como o livro imperdível de 2026 e elogiado por Khaled Hosseini, autor de O caçador de pipas, como um triunfo espetacular .
Escrito em camadas, com inúmeras vozes, o romance trata da trajetória da família Sharaf, cujos integrantes chegaram nos Estados Unidos como refugiados, apenas com a roupa do corpo. Depois de anos de trabalho eles se tornaram  prósperos, ricos, felizes,  o retrato do sucesso. Tinham realizado o american dream, viviam em uma mansão em bairro exclusivo e os quatro filhos frequentavam as escolas mais prestigiadas do país.
Tudo até ocorrer uma tragédia inimaginável que os deixou atordoados e subjugados à dura opinião pública. A filha mais velha foi encontrada morta. Acidente?  Os boatos diziam que o lar dos Sharaf não era tão perfeito e fragmentos de fofocas expuseram as rachaduras da família que vivia numa comunidade imigrante. Teriam os Sharaf realmente conquistado o sonho americano? Ou será que a imagem da família modelo era apenas uma fachada? Jornalistas, colegas, advogados, vizinhos , investigadores e membros da comunidade esmiúçam os últimos anos da jovem morta e a vida privada da família.
Depoimentos breves, fragmentados e atravessados por interesses pessoais, ressentimentos e preconceitos, além de lembranças incompletas, mostram questões de comunidade, identidade e os limites do sonho americano. Esse “romance afegão” mostra como a imagem da família trabalhadora e próspera , diante da suspeita, passa a ser tratada como estrangeira , com sua intimidade julgada por todos.
A narrativa é, sem dúvida, uma investigação literária original e o leitor vai, nesse caleidoscópio, reconsiderando o que leu na página anterior.

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