Criatividade - O flow e a psicologia das descobertas e das invenções (Objetiva, 472 páginas, R$ 99,90, tradução de Roberta Clapp e Bruno Fiuza) é um clássico estudo sobre criatividade de Mihaly Csikszentmihalyi, autor dos livros Flow: A psicologia do alto desempenho e da felicidade e Flow - Guia Prático, ambos publicados no Brasil pela Objetiva.
Existe uma idade certa para ser mais inovador? Pessoas solitárias são mais inventivas? Como os pais podem influenciar para a criação de filhos mais criativos? Em Criatividade - O flow e a psicologia das descobertas e invenções, Mihaly, professor na Claremont Graduate University e chefe do Departamento de Psicologia da Universidade de Chicago, reúne mais de 30 anos de pesquisas e estudos sobre o process criativo.
Mihaly, a partir do célebre conceito de flow - um estado de consciência alcançado quando estamos em completa concentração e focados em uma atividade - mostra nesta obra como o processo criativo floresce e analisa como as pessoas criativas e famosas trabalham e vivem.
Mihaly entende que a verdadeira história da criatividade é mais complexa do que a maioria dos relatos excessivamente otimistas costuma afirmar. Ideia ou produto criativo surge da sinergia de diversas fontes, não de uma mente única. Circunstâncias e cenários favoráveis e reconhecimento alheio auxiliam o processo, que, segundo Mihaly, é menos linear e mais recursivo do que o senso comum sinaliza. Mihaly mostra que todos podemos viver de modo mais criativo e aumenta as chances de conceber algo original.
A alentada, profunda e clara obra de Mihaly está dividida em três grandes partes. A primeira trata de processo criativo, personalidade criativa, trabalho da criatividade, o flow da criatividade e ambientes criativos. Na segunda parte, As Vidas, o autor fala de grandes criadores, vidas e obras. Na parte final do livro, o autor trata dos domínios da criatividade, domínio da vida e do futuro, formação da cultura e aprimoramento da criatividade individual. Realmente um clássico sobre criatividade.
• Merci, Monsieur Dior (L&PM Editores, 320 páginas, R$ 52,90, tradução de Sérgio Karam) é o delicioso romance sobre o homem que revolucionou a moda e a mulher que se tornou sua inspiração. Celestine, jovem provinciana, órfã, chega a Paris em 1947 para tentar a vida. Torna-se secretaria de Christian Dior, colaboradora mais próxima, confidente e musa inspiradora. Ambição, talento, lealdade e Paris.
• A tecla SAP do marketês (DVS Editora, 208 páginas, R$ 74,00), de Carolina Fernandes, escritora, jornalista e palestrante, colunista do Canal Bússola (Exame) e do Portal Customer, desmistifica a linguagem do marketing e incentiva grandes e pequenos empresários a abrasileirarem a comunicação e reforçar a proximidade com todos os públicos.
• Um mergulho na existência (Hanoi, 228 páginas, R$ 65,90), da gestora empresarial Graziela Gasparovic, traz sua experiência com Constelações Familiares e Organizacionais e a espiritualidade como forma e caminho para a evolução pessoal. A obra mostra o ser humano enquanto ser plural, fruto de escolhas passadas e presentes, na busca de integração com o universo.
Gilberto Braga (1945-2021), novelista que, em 49 anos de carreira escreveu, sempre na Globo, entre 1972 e 2021, cinco casos especiais, cinco novelas das seis, duas novelas das sete, doze novelas das oito e quatro minisséries, num total de 3.055 capítulos, é um dos maiores escritores brasileiros de trabalhos para TV. Sua obra trata de dinheiro, ambições, vinganças. Pela qualidade, pela quantidade e pela temática, não é exagero dizer que ele foi o Balzac da Globo.
Gilberto Braga - O Balzac da Globo (Editora Intrínseca, 352 páginas, R$ 129,90), dos grandes jornalistas e escritores Artur Xexéo e Maurício Stycer, biografia lançada há poucos dias, mostra com amplitude e detalhes a vida do autor que revolucionou as novelas brasileiras. Braga foi um dos maiores protagonistas de uma era, entre 1970-1990, quando as novelas paravam o Brasil, eram assunto nas ruas e nos jornais. As novelas produziam discussões, mudavam comportamentos e, desde cedo, Gilberto arriscou abordar na tela temas tidos como polêmicos ou tabus, como racismo, homossexualidade, machismo e preconceito de classe. Ele não foi o único desbravador, claro, mas sem dúvida foi dos primeiros e mais corajosos.
A vida de Gilberto Braga daria um bom novelão: tragédias familiares, namoro impedido por diferenças econômicas, ascensão social, superações na vida profissional e pessoal. Sua vida é a típica jornada do herói de classe média que, com talento e inteligência, consegue alcançar o panteão de prestígio ocupado pelos autores de novela no Brasil.
Os autores fizeram extensas pesquisas para escrever o livro, que narra a infância de Gilberto com a família na Tijuca, a juventude na zona sul do Rio de Janeiro, a paixão pelo cinema, os primeiros trabalhos como professor na Aliança Francesa e crítico de teatro no jornal O Globo, o convite de Daniel Filho para iniciar carreira na TV, os primeiros casos especiais e todas as novelas e minisséries escritas a partir de suas próprias dificuldades na vida. Gilberto foi o primeiro a colocar abertamente a discussão de que escrever novelas era um trabalho não apenas autoral, mas também industrial.
Nos primeiros tempos, Gilberto contou com a ajuda dos já experientes Lauro César Muniz e Janete Clair para escrever as novelas. Depois escrevia sozinho e, quando estava aguardando entre uma novela e outra, por vezes auxiliava colegas de ofício, como Silvio de Abreu em Rainha da Sucata.
Um capítulo da biografia enfocou o mito de que Gilberto era alienado politicamente, e capítulos especiais foram dedicados ao longo casamento de quase cinquenta anos de Gilberto com Edgar Moura Brasil. Os dois sempre viveram em quartos separados.
Nos capítulos finais do livro, há um relato sobre o desejo de Gilberto entrar para a Academia Brasileira de Letras, que acabou não se concretizando, relatos sobre as novelas Insensato Coração e Babilônia e sobre seus anos finais de vida, marcados pela depressão e outras doenças.
Parágrafo final da obra: "Num gênero menor, visto como descartável por muitos, Gilberto Braga conseguiu se conectar com grandes audiências e colocar o Brasil na tela. Várias de suas novelas, a rigor, ajudam a contar a história do país. A mão pesada da Censura, as reações de diferentes setores da sociedade a algumas tramas, o retrato acurado de parte da elite, o grito de revolta com a corrupção e a impunidade, tudo isso somado constrói um retrato do que foi o Brasil no período em que Gilberto escreveu suas novelas e minisséries. Poucos escritores de folhetim chegaram tão longe quanto o Balzac da Globo."