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Jaime Cimenti

Jaime Cimenti

Publicada em 21 de Dezembro de 2023 às 18:46

História da arte em quadrinhos

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Jaime Cimenti
Há mais de 75 mil anos, pintores, escultores e arquitetos em todos os continentes iluminam a aventura humana com expressões estéticas que chamamos de arte. Das cavernas pré-históricas até as manifestações contemporâneas da arte moderna, passando pelos tempos do Renascimento, a trajetória da arte se confunde com a história da humanidade.
Há mais de 75 mil anos, pintores, escultores e arquitetos em todos os continentes iluminam a aventura humana com expressões estéticas que chamamos de arte. Das cavernas pré-históricas até as manifestações contemporâneas da arte moderna, passando pelos tempos do Renascimento, a trajetória da arte se confunde com a história da humanidade.
Uma ótima forma de descobrir, com prazer, a apaixonante história da arte é a leitura da graphic novel História da arte em quadrinhos, em dois volumes, de 96 páginas cada, R$ 74,90 cada, da L&PM Editores. A escritora e roteirista multimídia Marion Augustin e o escritor e ilustrador Bruno Heitz mostram como os humanos usam a imaginação para expressar anseios, temores, religiosidade e modo de vida.
O primeiro volume vai da pré-história ao Renascimento e aborda não apenas formas de arte, mas também explica como essas obras foram criadas, por meio de que técnicas e materiais, numa jornada fascinante pelo tempo e pelo espaço. Pinturas rupestres, pirâmides egípcias, estátuas e vasos gregos e arte romana estão no volume.
O segundo volume vai desde a famosa Mona Lisa e outras criações de Leonardo da Vinci à pop art de Andy Warhol, passando pela Capela Sistina, pelo palácio de Versailhes, pelo barroco brasileiro, pintores flamengos, Van Gogh, Picasso e instalações contemporâneas. O leitor vai entender o desenvolvimento da arte nos últimos seis séculos, a influência da Igreja Católica e da Reforma Protestante e perceber o significado da arte na atualidade. Os italianos do quattrocento, a invenção da tinta em tubo, o surgimento dos marchands, a psicanálise, o dadaísmo e o surrealismo estão no volume.
Nas páginas finais de cada uma das duas partes, os leitores encontrarão um rico dossiê de fotografias para admirar as obras citadas e também um glossário de termos técnicos.
Como se vê, os dois volumes são uma ótima oportunidade para ver como a arte está em tudo: na forma das casas, monumentos, cartazes, muros, filmes, arte de rua e muito mais.
 

Lançamentos

O monstro no quarto e mais histórias de sim e de não (Physalis Editora, 83 páginas, R$ 52,00), do consagrado escritor e professor Caio Ritter, com ilustrações de Eloar Guazzelli, fala de Dora com medo de monstros, Jade e seu skate, Malu e seus anjinhos e Cleo que crê em extraterrestres. Quatro histórias de sim e não.
Villa Boa de Goyaz (Global Editora, 113 páginas, R$ 52,00), da grande poeta e escritora goiana Cora Coralina, um dos marcos de nossa literatura recente, traz poemas e textos, com ilustrações, que são um verdadeiro canto de amor de Aninha-Cora por sua cidade, que tornou-se patrimônio da humanidade, segundo a Unesco.
Notas em pauta (Casamundi, 134 páginas), de Olinda Allesandrini, uma das mais versáteis e conceituadas pianistas brasileiras, traz capítulos fundamentais da História da Música Ocidental. A partir de ampla pesquisa bibliográfica e de sua longa, talentosa, perspicaz e apaixonada experiência, Olinda fala de Bach e Haendel até Radamés Gnattali e Piazzola.

A volta do Messias em Nova York

Uma ficção de Natal, com votos de boas festas a todos
- Pai, esse mundo pós-pandemia, pós-moderno e pós-tudo está de cabeça para baixo. É muita discórdia, desamor, guerra, polarizações deletérias, destruição da natureza, insanidade geral e esse clima de apocalipse. Acho que está na hora de eu voltar para a Terra, levar minha mensagem. Vou descer numa nuvem, ao som das trombetas, em Nova York. Podemos utilizar a melhor empresa de streaming e falar para o mundo todo, em todas as plataformas de comunicação. O planeta receberá, em tempo real, nossa mensagem de amor e paz.
- Filho amado, você segue com boas intenções, pregando o amor ao próximo, se sacrificando por todos, mas você ressuscitou há apenas 2023 anos e talvez ainda seja cedo para tua volta. Alguns lá na Terra andam dizendo que voltarás em algumas décadas, mas isso é mais para assustar os pecadores, e eles sabem que estarão mortos até lá.
- Mas pai, muito antes de mim dizem que Moisés teria apontado para o essencial, as leis, os mandamentos que tornam possível o convívio social. Séculos depois de mim, Karl Marx ressaltou a importância do dinheiro e aí depois Freud mostrou a relevância do sexo e de nossos porões do inconsciente. Einstein teria dito que amor, lei, dinheiro e sexo estariam embolados, que seria tudo "relativo". Pai, o homem do segundo milênio segundo a Time foi São Francisco de Assis, o "hippie" do século XII, o ser humano mais gigante e transformador. Pai, será que não está na hora de eu voltar e mostrar que no final o amor é que tem que vencer?
- Meu filho querido, muitos dizem que és o maior homem do primeiro milênio, a pessoa que dividiu a história do humanidade, seria bom que pudesses voltar, unir e apaziguar o mundo, mas acho que não é o momento. Muitos ainda duvidam de ti, estão contra ti e alguns criaram outras religiões. Muitos iriam te caluniar, te destruir, talvez te crucificar de novo depois de mil fake news. Os seres humanos, apesar de tantos milênios, tantas artes e ciências, ainda não evoluíram o bastante. Fica aqui comigo em paz mais um tempo, fica no teu lugar.
- Pois é, Pai, mas é difícil ver tanta violência, tanta iniquidade, tanto dinheiro gasto com canhões ao invés de pães, tanta energia humana desperdiçada em ações ruins, tanta desigualdade em muitos sentidos. Difícil ficar parado diante disso tudo.
- É, meu filho, os seres humanos, como sabes, têm uma longa caminhada, cheia de guerra e paz, de silêncios e tiroteios, esperanças e desesperos, construções e desconstruções. Por vezes fico lendo, relendo e treslendo o Eclesiastes, a sabedoria do Rei Salomão. As pessoas vivem correndo atrás do vento e não há nada de novo debaixo do sol. Vaidade das vaidades, tudo é vaidade. Vem, meu filho, deixa eu te abraçar, que um abraço é o que interessa.
- Obrigado, meu pai, vou ficar aqui na paz, rezando por todos, esperando que os humanos evoluam e aguardando o momento correto para voltar à Terra.
 

A propósito

- Então, Pai, vou enviar uma mensagem a todos na Terra, aos que acreditam em mim ou não, aos que gostam de mim ou não, pois todos devem ser respeitados. Minha história de nascimento na manjedoura e tudo o que veio depois são patrimônio de todos e a mensagem de amor e paz às pessoas de boa vontade está acima de mim, de crenças, de religiões e de cambiantes filosofias e ideologias. Palavras, versões históricas, opiniões e tudo mais não importam tanto. O que importa é seguir pensando que o amor deve vencer no final. Se ele vencer antes do fim será melhor ainda e um dia, então, voltarei, como está escrito.

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