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Livros

- Publicada em 22 de Setembro de 2022 às 18:33

Violências em três gerações de uma família negra

Jaime Cimenti
Agora Agora (Todavia, 212 páginas, R$ 64,90, E-Book R$ 34,90), segundo romance publicado do carioca Carlos Eduardo Pereira, trata, em síntese, da trajetória de violências símbólicas e concretas acontecidas ao longo de três gerações de uma família negra carioca. Carlos estreou com o romance Enquanto os dentes, publicado pela Todavia em 2017 e finalista do Prêmio São Paulo de Literatura.
Agora Agora (Todavia, 212 páginas, R$ 64,90, E-Book R$ 34,90), segundo romance publicado do carioca Carlos Eduardo Pereira, trata, em síntese, da trajetória de violências símbólicas e concretas acontecidas ao longo de três gerações de uma família negra carioca. Carlos estreou com o romance Enquanto os dentes, publicado pela Todavia em 2017 e finalista do Prêmio São Paulo de Literatura.
A narrativa trata de histórias de três Jorges, o avô, o filho e o neto, que encadeiam violências simbólicas e concretas entremeadas com fatos da recente história brasileira. Com hábil jogo narrativo, o autor vai mostrando as perversidades de nossa sociedade, sobretudo as feridas do racismo que se propagam na vida dos personagens.
Na primeira parte do livro, Jorge Neto lembra, enquanto escova os dentes e se corta fazendo a barba, de episódios de trinta anos atrás, quando foi levado pelo pai à Academia preparatória de cadetes em Barbacena, a antessala de um período dramático que transformaria sua vida para sempre.
Na segunda parte da obra, mostra a trajetória do avô, que, depois de uma infância difícil, passada em um prostíbulo de Nova Friburgo, cria o Grito da Mocidade, um bar onde brancos não entram.
O avô de Jorge Neto, que foi boxeador, músico e protagonista gago de peças de teatro de sua autoria, não chegou a conhecer Jorge Filho, fruto de uma união conturbada com Creusinha. Jorge Filho se dedicou ao trabalho e à familia, e sobretudo à escolas de samba do Rio de Janeiro e Nova Friburgo. Quando ele deixa Jorge Neto na academia de cadetes, o romance completa seu ciclo exasperante.
O consagrado escritor Daniel Galera escreveu sobre o livro: "Para narrar as vidas de uma avô, um filho e um neto em seus entrechoques com uma sociedade hostil e com seus demônios interiores, o autor constrói um romance que dita as próprias regras para melhor expressar o que sua história tem de cruel e pitoresco." É por aí. Carlos Eduardo Pereira vai conquistando seu lugar na literatura brasileira.
 

Lançamentos

Algumas letras (Autografia, 60 páginas), de Hugo Cristiano Girardi Karnas, engenheiro civil e letrista de muitas músicas do Pop Rock Gaúcho das décadas 80/90 e 2000 e algumas do Pop Rock Nacional, apresenta poemas que tratam de vida, cotidiano, amor e fatos atuais. Lançamento 29/9, 19h, na Livraria Santos (Dinarte Ribeiro, 148).
A Pauta é uma Arma de Combate - Subjetividade, prática reflexiva e posicionamento para superar um jornalismo que desumaniza (Arquipélago, 368 páginas, R$ 71,90) da jornalista, professora e escritora Fabiana Moraes, que já publicou várias obras e recebeu muitos prêmios, mostra como o jornalismo pode se opor a cenários de destruição de humanidades.
Ordem de Bloqueio (Editora Intrínseca, 336 páginas, R$ 58,25), de Bill Browder, maior investidor estrangeiro na Rússia até 2005, mostra uma história real sobre corrupção e assassinato na Rússia de Putin. A obra figurou no número um da lista de mais vendidos do The New York Times e é muito oportuna.
 

Setembro Amarelo

Já estão aí as cores da primavera, que iniciou ontem. Tomara que os ventos de outubro carreguem para longe os restos de pandemia, chuvas e baixas temperaturas, rinites e sinusites, gripes e pneumonias, e tomara que tudo, enfim, desabroche.
Ainda restam alguns dias de setembro, que é marcado pela campanha Setembro Amarelo, iniciada no Brasil em 2015 para prevenir o suicídio. O mês foi escolhido porque, desde 2003, o dia dez de setembro é o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio. Falar é a melhor solução é o lema da campanha, que inclui o laço amarelo como símbolo do movimento. Ao contrário de outras campanhas, a Setembro Amarelo ainda não é reconhecida nacionalmente por lei federal. Ainda assim, alguns estados, como Santa Catarina, e muitos municípios já oficializaram, por conta própria, a data.
A cor amarela originou-se em 1994, quando um jovem norte-americano, Mike Emme, 17 anos, tirou a própria vida em seu Mustang 1968 amarelo. Familiares e amigos distribuiram cartões com fitas amarelas no funeral e mensagens de apoio para pessoas que estivessem enfrentando o mesmo desespero de Mike - e foi desta forma que a mensagem se espalhou pelo mundo.
Vida, liberdade e felicidade são lutas milenares dos humanos. Livros, filmes, peças de teatro, canções, mensagens nas redes sociais, silêncios e conversas mil acompanham o tema da vida e da morte e, infelizmente, temos taxas crescentes de suicídios em nosso país, especialmente envolvendo jovens. Segundo a Organização Mundial da Saúde, uma em cada cem mortes no mundo ocorre por suicídio.
Pois para evitar a depressão, que uns chamam de "o porre do não desejo", e o suicídio que muitas vezes decorre dela, entidades como o CVV - Centro de Valorização da Vida lutam diuturnamente e auxiliam pessoas necessitadas. É um trabalho altamente necessário e louvável e que, especialmente nesta época bastante conturbada que vivemos, merece apoio de todos.
Como sempre, é melhor prevenir do que remediar. Estudos científicos recentes mostram que conviver bem consigo mesmo, com a família e com os amigos são as coisas mais importantes para uma vida mais longa e feliz. Dormir bem, fazer exercícios e buscar alimentação adequada igualmente auxiliam a termos melhor saúde mental e física.
Nesta nossa passagem rápida pelo planeta, sempre é tempo de buscar evolução em vários sentidos e procurar a melhor forma individual e coletiva de viver. Especialmente nesses momentos críticos que vivemos, não é tarefa das mais fáceis, mas, ao fim e ao cabo, vale a pena e todos sairão ganhando. Pequenos grandes gestos individuais e cotidianos, na intimidade do lar ou em público, por vezes são o começo de boas transformações, e nunca custa repetir que violência gera violência e gentileza gera gentileza.

A propósito...

Especialmente nesse clima de deletéria polarização eleitoral, mais do que nunca é preciso exercer a civilidade ao máximo e pensar que não vale a pena brigar com parentes e amigos por conta de políticos e políticas que muitas vezes estão querendo é justamente se aproveitar da situação, que tantas vezes foi criada pelos próprios, em benefício de pessoas e de partidos. O filme é antigo, já conhecemos bem. O momento é próprio para pensar, refletir e agir com a maior calma e o maior grau de consciência possível. Não é fácil, mas não é impossível. As orientações para o Setembro Amarelo valem também para o momento eleitoral. Melhor também contar com a proteção da Nossa Senhora Aparecida, que ainda não desistiu de ser nossa padroeira. 
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