Antes era só o mundo. Depois o verbo. Depois a escrita, os livros, o teatro, a imprensa. Milênios depois o cinema, nascido mudo e depois tornado bem falante, dançante e musical, se inspirou nos livros. Os escritores depois se inspiraram nos filmes. Freud se inspirou em textos literários para escrever muito bem suas obras e criar a psicanálise. Depois da psicanálise, o mundo e os habitantes não foram os mesmos. A cultura em geral e as artes, particularmente o cinema e a literatura, buscaram inspirações nos elementos da obra freudiana. Os meios eletrônicos se somaram aos outros modos dos humanos se expressarem. Os profissionais da área psi assistem aos filmes para entender melhor os humanos e ouvem e observam os humanos para entenderem melhor os filmes, tipo assim como nós todos. Divã, tela, telinha, teatro, internet, personagens reais, celebridades, “pessoas comuns”, hoje está tudo pós-modernamente embolado em tempos e espaços. As relações entre o cinema e a psicanálise deram e dão bons frutos.
Cinema: o divã e a tela- Psicanálise, olhar, filmes lançado semana passada, resultou de seminários realizados desde 2005 pela Associação Psicanalítica de Porto Alegre (APPOA), com parcerias com entidades culturais e universidades, com vistas a buscar possíveis influências do cinema na psicanálise, entre outras questões. Os textos da obra, de autoria de Enéas de Souza e Robson de Freitas e das autoras convidadas Lucia Serrano Pereira, Ana Costa, Ana Lucília Rodrigues e Maria Ângela Cardaci Brasil, tratam de doze filmes selecionados e exibidos nos seminários.
Cidadão Kane;
Tropa de Elite;
Santiago;
Sarabanda;
Os pássaros;
A Origem;
Os Sonhadores;
Edifício Máster;
Linha de Passe;
De Olhos Bem Fechados e
Fale com Ela. No prefácio, o professor e cineasta Carlos Gerbase escreveu que o leitor encontrará uma série de reflexões sobre o parentesco entre cinema e psicanálise, duas criações humanas que, não coincidentemente, nasceram no mesmo período e continuam dialogando. Na orelha, o crítico e jornalista Roger Lerina, presidente da Associação dos Críticos de Cinema do RS (ACCIRS), referiu que em todos os textos evidencia-se o entusiasmo dos ensaístas com a rica contribuição à compreensão do lugar das subjetividades no mundo resultante da articulação da psicanálise com a crítica cinematográfica na interpretação dos filmes. É isso, leitor amigo, coloque sua poltrona entre a tela, o divã, a pipoca, o refri, uma biritinha, os bons textos de crítica cinematográfica e bom espetáculo!! Só não deixe de nos transmitir suas análises, impressões, comentários, interpretações e críticas. Artes e Ofícios Editora, 192 páginas, R$ 39,00,
www.arteseofícios.com.br.