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Coluna

- Publicada em 26 de Agosto de 2011 às 00:00

Impiedosa e engraçada sátira ao american way of life


Divulgação/JC
Jornal do Comércio
Uma história de amor real e supertriste, do escritor russo Gary Shteyngart, nascido em Leningrado em 1972 e desde 1979 vivendo nos Estados Unidos, é uma impiedosa e engraçada sátira ao chamado american way of life nos conturbados Estados Unidos da América dos próximos anos. Gary ganhou, com seu primeiro romance, The Russian Debutante’s Handbook, o prestigiado Stephen Crane Award e o National  Jewish Book Award. A obra foi indicada como um dos 10 melhores livros do ano pelo The New York Times e como o melhor livro do ano pela Time. O romance foi publicado no Brasil pela Editora Rocco, com o título O pícaro russo. A segunda obra do autor, Absurdistão, já lançada pela Rocco, foi classificada entre os dez melhores livros do ano pela Time, The Washington Post, San Francisco Chronicle e Chicago Tribune, entre outras publicações.
Uma história de amor real e supertriste, do escritor russo Gary Shteyngart, nascido em Leningrado em 1972 e desde 1979 vivendo nos Estados Unidos, é uma impiedosa e engraçada sátira ao chamado american way of life nos conturbados Estados Unidos da América dos próximos anos. Gary ganhou, com seu primeiro romance, The Russian Debutante’s Handbook, o prestigiado Stephen Crane Award e o National  Jewish Book Award. A obra foi indicada como um dos 10 melhores livros do ano pelo The New York Times e como o melhor livro do ano pela Time. O romance foi publicado no Brasil pela Editora Rocco, com o título O pícaro russo. A segunda obra do autor, Absurdistão, já lançada pela Rocco, foi classificada entre os dez melhores livros do ano pela Time, The Washington Post, San Francisco Chronicle e Chicago Tribune, entre outras publicações.
Uma história de amor real e supertriste traz o protagonista Lenny Abramov, que vive num futuro muito próximo do nosso. São poucos anos na linha do tempo, mas o mundo já está bastante mudado. Filho de imigrantes russos, beirando os 40 anos, é dono de uma careca e de um índice de massa corporal que provoca piadas. Teima em ler livros desses de mil páginas, objetos que seus contemporâneos consideram repugnantes. Os Estados Unidos ruíram, a América é uma analfabeta funcional e Lenny escreve o que pode ser o último diário do mundo. No campo tecnológico, iPhones e notebooks foram substituídos por um único aparelhinho: os indefectíveis äppäräts, que tudo sabem e tudo veem. Lenny é anacrônico e não tem intimidade com o aparelhinho e confunde-se com as siglas e as gírias mais cool. Lenny é tão obsoleto que se apaixona perdidamente, como nos velhos tempos, por Eunice, uma americana de origem coreana de 24 anos, linda e cruel, recém-formada em Imagens, com especialização em Assertividade. Ela vai ensinar ao “coroa tosco” novas formas eficazes de escovar os dentes e apresentar-lhe novas roupas, feitas em algodão não inflamável. Os Estados Unidos enfrentam crise financeira, manifestações populares violentas no Central Park e tanques da Guarda Nacional andam nas ruas de Nova York. O dólar não existe mais e os credores chineses estão impacientes. Lenny promete amar Eunice e sua terra natal e convencerá a volúvel amada, num mundo instável e sem referências, que ainda existem alguns valores humanos a serem mantidos. Rocco, 384 páginas, tradução de Antônio E. de Moura filho, www.rocco.com.br.

Lançamentos

  • Filé de borboleta - O Don Juan de Bagé, do escritor e homem de propaganda Luiz Coronel, traz causos de cama, apostas, juras de amor, noite e madrugada, longas viagens, tardes de verão e suor, com linguagem poética, musical e bem-humorada. Apresentação de Tabajara Ruas. Mecenas Editora, 304 páginas, www.tabeditora.com.br.
  • Nós passaremos em branco traz crônicas do escritor, músico e jornalista Luís Henrique Pellanda, subeditor e colunista do jornal Rascunho. Uma galeria de personagens e situações peculiares, no centro de Curitiba, estão nos textos, em meio à beleza e à perversidade, habilmente retidos na memória do cronista. Arquipélago, 190 páginas, www.arquipelagoeditorial.com.br.
    • Econômicos, de Aristóteles, faz parte da série Obras Completas de Aristóteles, coordenada por Antônio Pedro Mesquita. A obra debate a economia da antiguidade grega, com reflexões sobre ética e economia nos âmbitos privado e público. WMF Martins Fontes, tradução de Delfim F. Leão, 88 páginas, www.wmfmartinsfontes.com.br.
  • Lágrimas na chuva - uma aventura na URSS, de Sérgio Faraco, traz, em versão de bolso, a conhecida obra confessional do autor de Dançar tango em Porto Alegre. A narrativa traz os tempos e as aventuras que o autor viveu na URSS, na década de 1960, onde, por discordâncias políticas, foi internado numa clínica de “reeducação”. L&PM Pocket, 190 páginas, www.lpm.com.br.
  • E palavras...

    Literatura, cinema, Freud, telinhas etc
    Antes era só o mundo. Depois o verbo. Depois a escrita, os livros, o teatro, a imprensa. Milênios depois o cinema, nascido mudo e depois tornado bem falante, dançante e musical, se inspirou nos livros. Os escritores depois se inspiraram nos filmes. Freud se inspirou em textos literários para escrever muito bem suas obras e criar a psicanálise. Depois da psicanálise, o mundo e os habitantes não foram os mesmos. A cultura em geral e as artes, particularmente o cinema e a literatura, buscaram inspirações nos elementos da obra freudiana. Os meios eletrônicos se somaram aos outros modos dos humanos se expressarem. Os profissionais da área psi assistem aos filmes para entender melhor os humanos e ouvem e observam os humanos para entenderem melhor os filmes, tipo assim como nós todos. Divã, tela, telinha, teatro, internet, personagens reais, celebridades, “pessoas comuns”, hoje está tudo pós-modernamente embolado em tempos e espaços. As relações entre o cinema e a psicanálise deram e dão bons frutos. Cinema: o divã e a tela- Psicanálise, olhar, filmes lançado semana passada, resultou de seminários realizados desde 2005 pela Associação Psicanalítica de Porto Alegre (APPOA), com parcerias com entidades culturais e universidades, com vistas a buscar possíveis influências do cinema na psicanálise, entre outras questões. Os textos da obra, de autoria de Enéas de Souza e Robson de Freitas e das autoras convidadas Lucia Serrano Pereira, Ana Costa, Ana Lucília Rodrigues e Maria Ângela Cardaci Brasil, tratam de doze filmes selecionados e exibidos nos seminários. Cidadão Kane; Tropa de Elite; Santiago; Sarabanda; Os pássaros; A Origem; Os Sonhadores; Edifício Máster; Linha de Passe; De Olhos Bem Fechados e Fale com Ela. No prefácio, o professor e cineasta Carlos Gerbase escreveu que o leitor encontrará uma série de reflexões sobre o parentesco entre cinema e psicanálise, duas criações humanas que, não coincidentemente, nasceram no mesmo período e continuam dialogando. Na orelha, o crítico e jornalista Roger Lerina, presidente da Associação dos Críticos de Cinema do RS (ACCIRS), referiu que em todos os textos evidencia-se o entusiasmo dos ensaístas com a rica contribuição à compreensão do lugar das subjetividades no mundo resultante da articulação da psicanálise com a crítica cinematográfica na interpretação dos filmes. É isso, leitor amigo, coloque sua poltrona entre a tela, o divã, a pipoca, o refri, uma biritinha, os bons textos de crítica cinematográfica e bom espetáculo!! Só não deixe de nos transmitir suas análises, impressões, comentários, interpretações e críticas. Artes e Ofícios Editora, 192 páginas, R$ 39,00, www.arteseofícios.com.br.  

    e versos

    "O que é dado
    É a paciência duma vida
             peixe fossilizado
    É o que é preciso de tempo
             para mudar o peixe em água
             e para mudar a água em pedra
    Para abri-los um ao outro
    Para fechá-los um no outro
             o peixe na água
             e a água na pedra
    O que é dado
    É a promessa duma vida
             jamais  rememorada
    Saberás  retomá-la  inteira
    Sem  alterar  seu  elã
    Sem fazê-la em migalhas?"
    François Cheng em Duplo Canto e outros poemas Edição bilíngue, Tradução, cronologia, introdução e notas de Bruno Palma,Ateliê Editorial,www.atelie.com.br
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