Gaúcho tem fama de turrão mas ao também é e conhecido pela cordialidade. A imagem de dois adversários ferrenhos se abraçando mostra que apesar de tudo e das diferenças marcantes entre os dois partidos o espírito de civilidade se sobrepõe. Ainda bem.
A eleição do voto útil
Esta é uma eleição marcada com o sentimento anti-Lula e, por extensão, anti-esquerda, com voto útil no 1º turno. Parte dos eleitores gostaria de ter outro candidato que não fosse Flávio Bolsonaro (PL), mas era o que a casa oferecia. Ronaldo Caiado (PSD), Augusto Cury (Avante), Renan Santos (Missão) e Romeu Zema (Novo) ensaiaram uma decolagem, mas a distância de Flávio e Lula levou ao voto útil bem antes da reta final. Os candidatos emagreceram mais rápido que modelo em semana anterior a desfile de modas.
A longa marcha
No início, as pesquisas mostravam uma diferença razoável pró-Lula. Isso cristalizou a opinião de que tudo se resolveria no segundo turno. Houve uma espécie de resignação na oposição. Mas à medida que o tempo passava, as pesquisas não davam folga ao Planalto. Então, vieram as bondades de Lula como o aumento do Bolsa Família e as canetas emagrecedoras. A responsabilidade fiscal que se explodisse. E nada de aumentar as intenções de voto em Lula.
O marco zero
Com uma diferença de quatro pontos entre um e outro, o emagrecimento das candidaturas Ronaldo Caiado e Augusto Cury foi rápida. Então veio o episódio do debate da Globo cancelado pela intromissão de ministro do STF nas regras soberanas da emissora. Coincidência ou não, a partir daquele dia a intenção de voto em Flávio acelerou, o que foi detectado tanto pelo Datafolha quanto pela Quaest.
Boi na linha
Na sexta-feira, a bolsa brasileira fechou com alta considerável de 2,57%, muita coisa para uma economia combalida. Como o mercado tem seus próprios estetoscópios eleitorais, deu para perceber que tinha boi na linha. Em paralelo, um dirigente da Confederação Nacional da Indústria (CNI) me falou sábado no Barranco que o termômetro da entidade apontava para o crescimento da candidatura bolsonarista para além de Lula. Conclusão: na próxima eleição, é bom consultar os bruxos da CNI e prestar atenção na bolsa.
A direita tomou conta
A vitória no primeiro turno de Luciano Zucco (PL) mais a eleição de dois senadores – Marcel van Hattem (Novo) e Ubiratan Sanderson (PL), dão o tamanho da direita no Rio Grande do Sul.