O Tá na Mesa da Federasul voltou ontem com a palestra do governador do Estado como acontece todos os anos em março, uma tradição de décadas no Palácio do Comércio, em Porto Alegre. A mesa principal reuniu líderes empresariais e autoridades políticas. No cardápio, os decretos de cortes de benefícios fiscais e sua revisão, tema que marcou as falas na reunião-almoço de ontem.
Duelo elegante
Depois de um discurso de 57 minutos em que detalhou as principais realizações do governo na gestão passada e no início da atual, Eduardo Leite (PSDB) participou de um bate papo que se prolongou por 50 minutos com o presidente da Federasul, Rodrigo Sousa Costa. Houve divergências e críticas duras sobre o corte de incentivos, mas o embate se deu em alto nível e de forma respeitosa. Terminou 14h45min.
Sintonia
Leite abriu e encerrou sua palestra com a exibição de vídeos. O da abertura mostrava atrações turísticas e belezas naturais do Rio Grande do Sul. Mostrou sintonia com a classe empresarial em um aspecto: o governador ressaltou a importância de mostrar e vender para o mundo aspectos positivos do Estado. Em outros termos, foi o que a Fiergs fez ao lançar o movimento Produto RS, para reconhecer o que é fabricado com qualidade em solo gaúcho. Leite, por sinal, ressaltou que o maior orgulho de sua vida é ser governador do Estado.
Schirmer e a segurança
Com manchetes de jornais e dados da Secretaria de Segurança Pública, Leite apontou a melhora de indicadores e a redução da criminalidade no Rio Grande do Sul. E citou o secretário municipal Cezar Schirmer - que representou o prefeito de Porto Alegre, Sebastião Melo - como alguém que - como secretário de Segurança - contribuiu para superar a crise do Estado, que até pedia ajuda da Força Nacional de Segurança.
Preço do servidor
Em relação à pressão por reajustes de servidores públicos, o governador defendeu a importância de atualizar salários, mesmo sob críticas de empresários. Citou como exemplo o caso da Secretaria de Obras, onde metade dos engenheiros contratados desistiram de assumir cargos em função do salário, abaixo do piso da categoria.
Rivalidade com SC
Eduardo Leite falou em reformas, privatizações e corte de despesa. Comparou alíquotas de impostos de outros estados. E mostrou vantagens em relação a Santa Catarina. Disse que o Estado está à frente do vizinho em competitividade. E que a gasolina no Rio Grande do Sul está mais barata do que a dos postos catarinenses.
Estradas
O volume de investimentos do Estado nos últimos anos está em 7% da receita, o que poderia estar em xeque, caso medidas como o corte de incentivos não vigorasse, disse Leite. Mostrou que, de 2011 a 2018, a média de investimentos em estradas foi de R$ 396 milhões, número que subiu a R$ 944 milhões de 2021 a 2023, em média.
Precatórios
Além da dívida com a União, outro problema crônico é o estoque de precatórios, de
R$ 16,6 bilhões. Leite apresentou uma meta ousada, de quitar R$ 5 bilhões neste ano. A maior parte do recurso viria de um empréstimo do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), que vai repassar US$ 500 milhões ao Estado, com esse fim.
Piso da educação
O Estado diz que gasta mais do que os 25% exigidos na Constituição para educação, porque considera o custo da folha de aposentados. A tese é questionada na Justiça. Se for retirada, o governo gaúcho precisaria gastar mais R$ 3,3 bilhões para cumprir o mínimo constitucional.
O ícone Concorde
O jato supersônico Concorde não circula mais. Mas agora a aeronave pode ser vista no Intrepid Museum, à beira do Hudson, em Nova York - é uma versão do supersônico aposentado da British-Airways após restauração. Ao fundo, a Estátua da Liberdade.
TCE e Famurs
O presidente do Tribunal de Contas do Estado, Marco Peixoto, combinou com o presidente da Famurs, Luciano Orsi, a realização de um evento para reunir todos os prefeitos gaúchos que encerram suas gestões em dezembro. Foco em orientações para o encerramento do mandato.