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Cinema
Hélio Nascimento

Hélio Nascimento

Publicada em 29 de Janeiro de 2026 às 18:16

Indiferença e solidão

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Hélio Nascimento
O cinema tem entre seus recursos principais a utilização do cenário. É ali que os personagens visualizam sua história, materializam seu passado e, de certa forma, eternizam sua vida, deixando no cenário sua trajetória e sua personalidade. Tal constatação vale tanto para figuras humanas como para civilizações, com seus monumentos e homenagens para seus fundadores, seus artistas, seus cientistas e seus orientadores.  Os grandes mestres nunca ignoraram tal utilização, mesmo aqueles que viram no rosto humano a expressão maior. É possível mesmo afirmar que na mescla de tais recursos se encontra a essência do cinema, na sua indispensável ligação com a realidade. A diretora Mary Bronstein, portanto, comete uma ousadia, ao isolar a protagonista de Se eu tivesse pernas, eu te chutaria, privilegiando o rosto da excelente atriz Rose Byrve e conferindo à palavra um lugar relevante durante a narrativa. Porém, é necessário destacar que a realizadora não segue tal caminho com o intuito de diminuir a relevância do cenário. Basta ver que tudo começa com um acontecimento diretamente ligado ao cenário, quando o apartamento é invadido pela água, uma destruição inesperada e que, na cena inicial, deixa clara a fragilidade de uma segurança apenas aparente. É também importante mencionar que o tema da água, agora com outro sentido, mas não desligado da primeira vez, reaparece no epílogo.

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