Desde sua criação até as propostas dos Irmãos Dardenne, Jean-Pierre e Luc, o cinema passou por várias fases, procurando sempre, de uma forma ou outra, reproduzindo o exposto ou tentando atingir as causas do que está sendo exposto, recriar e interpretar a realidade. De alguma maneira, o cinema dos cineastas belgas, é um regresso às origens, movimento possibilitado pelo enriquecimento permitido pelos avanços obtidos durante a passagem de décadas. O cinema, cuja criação é também atribuída a dois irmãos, começou com o registro da realidade, antes de servir a truques e ao fascínio exercido pela magia. Isso antes de se transformar em registros de peças teatrais. Quando Griffith percebeu que a montagem possibilitava a ação paralela criou na verdade uma nova linguagem, capaz de construir uma dramaticidade inédita, algo que Eisenstein percebeu que poderia ser o caminho para um cinema-ensaio, algo que Kubrick, sem abandonar a narrativa ficcional, explorou em 2001. Sem desprezar os avanços e os monumentos erguidos desde 1898, os Dardenne, em Jovens Mães, revelam que a ambição de criar o real pode se concretizar em cinema despojado de qualquer forma de artificialismo e ao mesmo tempo criar uma narrativa repassada de todas as conquistas obtidas com o passar dos anos. A utilização de histórias paralelas, o emprego do cenário e até a utilização da música, como na esplêndida, bela e comovente cena final, tudo reflete a linguagem própria do cinema, na busca do mais importante: a criação de personagens.
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