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Cinema
Hélio Nascimento

Hélio Nascimento

Publicada em 02 de Janeiro de 2026 às 00:40

Dor e esperança

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Hélio Nascimento
Certamente, uma das surpresas da temporada passada, Sorry, baby, o primeiro filme como diretora de cinema da atriz Eva Victor, revela um nome a ser seguido com a devida atenção a partir de agora. Ela é também a autora do roteiro desse filme admirável, que serve de apresentação de um talento que, narrando capítulos de uma vida atormentada por um acontecimento traumatizante, permanece fiel a leis fundamentais da criação cinematográfica. Eis um estilo de filmar que, distante das habituais exibições de talento dos que dão o primeiro passo, prefere, no lugar de ousadias quase sempre desligadas da criação de personagens, opta por uma forma de filmar ligada às propostas e as criações dos mestres. Mas há uma inovação. Os quadros são apresentados através de uma forma que não segue a linha do tempo, afim de que o motivo da dor seja relevado à medida em que o tempo de projeção segue seu ritmo.  É como se a vida da protagonista, interpretada pela própria diretora, também uma atriz notável, fosse reconstituída por fragmentos decisivos. Não é um fato corriqueiro o fato de um talento de tal porte surgir assim de forma tão inesperada, numa fase em que o cinema, inclusive recebendo destaque por parte da crítica, vai sendo dominado por aventuras inconsequentes, como se a plateia fosse formada apenas pelo universo infantil, cenário que não deveria ser abandonado, mas nunca transformado em potência dominante.

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