Carolina Haack
Nos últimos anos, o Brasil viu crescer uma crise que destrói o orçamento de milhões de famílias: as fraudes no crédito consignado. Aposentados, pensionistas e servidores públicos, justamente aqueles que dependem de renda fixa e previsível, têm sido alvo de golpes cada vez mais sofisticados, enquanto bancos e órgãos de controle reforçam campanhas de conscientização e mecanismos de prevenção.
Por descontar parcelas diretamente do salário ou benefício, o consignado sempre foi visto como uma das modalidades mais seguras de crédito. Porém, o esquema usado pelos criminosos é perverso: a sofisticação dos golpes evoluiu para contratos falsos, simulações de contatos com “ofertas imperdíveis” e até antecipação de valores sem autorização das partes, para depois os bancos cobrarem uma dívida sem o consentimento ou mesmo ciência do "contratante”.
Não raro, idosos descobrem que “contrataram” três, quatro, cinco operações diferentes sem ter assinado nenhum documento. Em muitos casos, a vítima só percebe o golpe quando a renda mensal diminui. Corrigir isso pode levar meses, com impacto direto tanto no orçamento para despesas básicas como medicamentos, alimentação e contas domésticas, quanto nas previsões e estratégias dos bancos em razão de previsões de recebimentos que se mostram dissociadas da realidade, justamente em razão desses golpes – nos quais ambos são afetados.
As instituições financeiras têm observado as normas regulatórias vigentes e atuado para fortalecer a segurança das contratações Há diversas campanhas encabeçadas pela Febraban que combatem ativamente as fraudes. Todo esforço é válido, pois cada operação fraudulenta representa não apenas um risco financeiro, mas também coloca em dúvida a confiança no sistema como um todo.
É fundamental reforçar que as pessoas redobrem o cuidado para não cair em golpes. A facilidade de contratar pelo celular tem seus riscos. É preciso desconfiar de ofertas irresistíveis, não compartilhar dados pessoais e buscar sempre os canais oficiais de atendimento das instituições financeiras.
O fortalecimento dessas medidas é essencial para preservar a confiança no sistema financeiro, proteger tanto os clientes como os bancos e assegurar que o crédito consignado continue cumprindo seu papel como uma ferramenta segura e responsável de acesso ao crédito.
Sócia da Velloso Advogados & Associados
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