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Publicada em 17 de Março de 2026 às 00:25

Recuperar crédito também é estratégia de negócio

Artigos de renomados juristas gaúchos e do Brasil

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Daniel Borin

No Mês do Consumidor, em março, o debate geralmente se concentra nos direitos de quem compra e nas alternativas para reorganizar a vida financeira. Mas existe outro lado também muito importante dessa cadeia econômica: o das empresas que têm valores a receber e dependem desse retorno para manter a saúde do negócio.

Falar em recuperação de crédito não se trata apenas de cobrança. É falar, também, sobre fluxo de caixa, sustentabilidade e inteligência na condução de negociações. Em um cenário no qual a inadimplência afeta empresas de diferentes portes, recuperar valores em aberto deixou de ser uma tarefa secundária. Em muitos casos, é uma estratégia importante para preservar resultados e manter o caixa saudável.

Como recuperador de crédito, vejo que um erro comum entre empresários é tratar a inadimplência com emoção. Quando um pagamento não entra, a reação costuma ser de endurecer a cobrança ou insistir no pagamento integral da dívida. Por experiência, esse caminho raramente é o mais eficiente. O objetivo não é “vencer” uma disputa, mas fazer o dinheiro voltar para dentro da empresa. 

Muitas dívidas antigas já saíram do fluxo de caixa do devedor há bastante tempo. Para que ele volte à mesa de negociação, é preciso apresentar uma proposta economicamente viável. Melhor fechar um acordo possível do que insistir em uma cobrança inflexível que, no fim, não se converte em recebimento – e mantém o dinheiro fora do caixa da empresa.

Outro ponto importante é desmistificar a ideia de que judicializar uma dívida resolve. Em alguns casos, o processo judicial é necessário, para evitar a prescrição da dívida, mas não significa dinheiro rápido. Ele pode, inclusive, aumentar os custos e prolongar a espera por uma solução.

É nesse contexto que o trabalho de recuperação de crédito ganha importância. Mais do que cobrar, o interlocutor media negociações e aproxima as partes para encontrar uma solução possível. Em muitos casos, o que faltava não era uma medida mais dura, mas um mediador capaz de conduzir a conversa. 


Cobrar com inteligência é, no fim, uma forma de transformar um problema em solução. Em um cenário de incertezas econômicas, recuperar crédito pode representar não apenas um alívio no caixa, mas também uma forma de manter a empresa saudável e preparada para continuar crescendo.

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