Alessandra VellosoQuem acompanha o noticiário já percebeu que cresce no Brasil o número de ações judiciais envolvendo instituições financeiras. Em muitos casos, o problema não começa no Judiciário, mas bem antes. No momento da contratação de crédito, financiamento ou serviço bancário, muitos consumidores não avaliam que aquela parcela mensal vai pesar mais do que o esperado no bolso.Nosso sistema financeiro é sólido, regulado e submetido a regras rigorosas do Banco Central. Nos últimos anos, os bancos também avançaram em transparência, linguagem mais clara e padronização de informações, seguindo diretrizes de autorregulação de entidades como a Federação Brasileira de Bancos (Febraban). Hoje, os contratos de crédito trazem taxas, prazos, valor das parcelas e o custo efetivo total de forma objetiva. Tudo para melhorar a comunicação entre bancos e consumidores.Mas há um ponto que nenhum contrato consegue resolver sozinho: a situação financeira do cliente. Entender o que está escrito no papel é importante, mas compreender se aquela dívida cabe no orçamento é essencial. É aqui que a educação financeira faz toda a diferença.Na prática, muitos conflitos que acabam no Judiciário não têm origem em cláusulas abusivas ou falhas de informação. Surgem quando o consumidor, depois de assinar, percebe que o compromisso assumido não se encaixa na sua realidade financeira. A frustração é compreensível, mas nem sempre significa que houve erro do banco quando todas as regras foram cumpridas.Educação financeira leva a uma maior compreensão do impacto de cada decisão no futuro de uma família. Na prática, ao observar o valor da parcela, o tomador de crédito deve refletir sobre o fluxo de caixa mensal, os imprevistos, o custo de longo prazo daquela decisão. Sem esse exercício, o risco de arrependimento e de conflitos só aumenta.
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