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Publicada em 29 de Agosto de 2026 às 10:00

Presidenciáveis recebem propostas para fortalecer a logística brasileira

 Associação chama atenção para a necessidade de elevar a capacidade de silos e armazenagem diante dos recordes do agronegócio

Associação chama atenção para a necessidade de elevar a capacidade de silos e armazenagem diante dos recordes do agronegócio

Preston Keres/USDA/JC
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Agências
A Associação Brasileira de Operadores Logísticos (ABOL) apresenta às coordenações das campanhas dos candidatos à Presidência da República uma Carta Aberta com quatro propostas que considera prioritárias para o avanço da logística brasileira e que deveriam ser endereçadas no próximo governo.

Em um ano eleitoral marcado pelo debate entre continuidade e mudança, a entidade reforça a necessidade de avanços que garantam maior previsibilidade e condições para o desenvolvimento do ecossistema. Entre as prioridades apontadas estão a consolidação da Intermodalidade/Multimodalidade como política pública permanente; a construção de um ambiente regulatório e tributário mais simples e estratégico; um programa nacional para enfrentar a escassez de mão de obra e preparar o setor para os incrementos em Inteligência Artificial, automação e robotização; e incentivos à descarbonização, aos combustíveis sustentáveis e à adaptação às mudanças climáticas.

A agenda apresentada pela ABOL parte do reconhecimento de que a logística é um dos pilares fundamentais da economia brasileira e, sem ela, cadeias de abastecimento de todos os setores seriam postas a risco. Por isso, deve permanecer no radar das autoridades e ocupar posição estratégica em qualquer plano de governo.

A relevância da pauta apresentada está diretamente relacionada ao peso dos Operadores Logísticos na Logística. Segundo a Carta, o segmento, que é responsável pela prestação de serviços integrados de transporte (por qualquer modal), armazenagem e gestão de estoques, emprega 2,7 milhões de pessoas, entre diretas e indiretas, movimenta mais de R$ 247 bilhões em faturamento anual e responde por mais de R$ 57 bilhões em arrecadação aos cofres públicos. Os Operadores também representam mais de 20% dos gastos com transporte e armazenagem no País.

Na frente de infraestrutura, a ABOL defende que a multimodalidade seja tratada como eixo estruturante para ampliar o desempenho das cadeias de abastecimento. Entre as medidas expostas estão a criação de uma Governança Nacional da Multimodalidade, a modernização das conexões entre rodovias, ferrovias, hidrovias, portos e aeroportos e a evolução da integração legal e documental. A Associação também chama atenção para a necessidade de elevar a capacidade de silos e armazenagem, especialmente diante dos sucessivos recordes de produção do agronegócio.

O material aponta ainda um espaço relevante para a melhoria da conexão entre os modais no próprio mercado: atualmente, apenas 31% dos Operadores Logísticos de fato conseguem oferecer serviços intermodais e multimodais. Para a ABOL, aumentar essa participação depende de investimentos em infraestrutura, mecanismos de financiamento e maior previsibilidade normativa. O documento destaca que o Brasil investe cerca de 0,7% do PIB ao ano na rede de transportes, enquanto estimativas citadas pela Associação indicam a necessidade de aproximadamente 2% para conservar, modernizar e expandir a capacidade.

No ambiente regulatório e tributário, é recomendada a simplificação das obrigações, unir os sistemas dos órgãos públicos e avaliar os impactos das novas regras antes da criação de exigências adicionais. À luz também da Reforma Tributária em curso, a ABOL defende a preservação do dinamismo dos diferentes modais e de incentivos à automação, à robotização, à inteligência artificial e à digitalização. Entre as sugestões está a criação de mecanismos semelhantes a uma "Lei do Bem para a Logística".

Outro ponto de cuidado é a atração e retenção de talentos. Diante da escassez de motoristas, colaboradores de armazéns e profissionais especializados, a ABOL propõe a criação de uma Política Nacional para o Futuro do Trabalho na Logística. A iniciativa prevê a articulação entre governo, empresas, academia, trabalhadores e instituições de ensino, além de ações de qualificação e requalificação, e estímulos à adoção de tecnologias como inteligência artificial, automação e robotização, para complementar ou suprir lacunas.

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