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Publicada em 18 de Agosto de 2026 às 12:20

Área técnica do Cade aprova operação entre MSC e Maersk em disputa pelo Tecon Santos 10

Novo terminal de contêineres será construído no porto de Santos, com licitação aguardada pelo governo

Novo terminal de contêineres será construído no porto de Santos, com licitação aguardada pelo governo

vinicius rosa/divulgação/jc
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Agência
A Superintendência-Geral do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) aprovou a operação prévia apresentada por MSC e Maersk para saída do BTP (Brasil Terminal Portuário), em Santos, no âmbito da disputa pelo Tecon Santos 10. A decisão foi publicada no fim da noite desta segunda-feira (17).

O novo terminal de contêineres será construído no porto de Santos, com licitação aguardada pelo governo. A operação foi contestada pela International Container Terminal Services Inc. (ICTSI), operadora filipina que pediu para ingressar nos processos como terceira interessada, que também deve participar do leilão. Tanto a aprovação do caso quanto a rejeição da empresa filipina foram antecipadas pela Folha de S.Paulo.

O negócio prevê uma reorganização da participação das duas empresas no BTP. MSC e Maersk são sócias do terminal e, pelo acordo apresentado ao Cade, uma delas venderá sua participação à outra caso vença o futuro leilão do Tecon Santos 10. Assim, a armadora que vencer a disputa pelo novo terminal deixará de ter participação no BTP, enquanto a outra ficará com a totalidade do ativo.

A aprovação da área técnica não encerra o caso. O tribunal do Cade tem até 15 dias para determinar uma avaliação mais aprofundada caso entenda que os efeitos concorrenciais da operação não foram suficientemente examinados pela área técnica do órgão.

O acordo ocorre em meio à disputa sobre as regras do Tecon Santos 10. O terminal será uma nova estrutura para movimentação de contêineres no porto de Santos e é considerado estratégico para ampliar a capacidade do complexo portuário. A principal discussão envolve justamente quem poderá disputar a licitação: empresas que já atuam no porto, incluindo grandes armadores, ou apenas novos operadores.

A modelagem discutida pelo governo e pela Antaq (Agência Nacional de Transportes Aquaviários) passou por diferentes versões, mas ainda não há decisão final. Uma das propostas restringia a participação de empresas já instaladas em Santos. O TCU (Tribunal de Contas da União) também manifestou preocupação com a entrada de empresas já instaladas e defendeu restrições à participação de armadores.

Posteriormente, ganhou força no governo uma alternativa que permitiria a participação de grupos já presentes no mercado, desde que eles se desfizessem de ativos existentes caso vencessem a disputa. É nesse contexto que MSC e Maersk estruturaram o acordo levado ao Cade.

Embora não caiba ao órgão definir quem participará do certame, as empresas avaliam que, com o aval, há um caminho aberto para a participação na corrida pelo novo terminal.

"Inexiste nexo causal entre o ato de concentração ora analisado e a definição do resultado do certame, o qual permanece incerto, assim como o próprio desenho regulatório da licitação", escreveram os técnicos do Cade no parecer que deu aval à operação.

A Superintendência-Geral negou o pedido da ICTSI de participar da análise sob o argumento de que a empresa não comprovou como será afetada pela operação, já que hoje não atua no complexo portuário de Santos.

A ICTSI sustentava que o acordo entre as duas armadoras não produziria uma desconcentração efetiva do mercado, mas apenas distribuiria entre MSC e Maersk os dois ativos. Segundo a empresa, mesmo que uma das armadoras deixe o BTP para assumir o Tecon Santos 10, as duas continuarão com presença relevante no mercado de terminais de Santos.

A empresa citou estudo segundo o qual MSC e Maersk responderam juntas por 49,1% da demanda de movimentação de contêineres em Santos. A ICTSI também argumentou que BTP e Tecon Santos 10 serão terminais vizinhos, o que poderia ampliar ganhos de escala e escopo para as empresas que permanecerem com os ativos.

Outro ponto levantado pela filipina foi o histórico de associação entre MSC e Maersk. As duas são sócias do BTP e mantiveram durante anos a aliança 2M no transporte marítimo. Para a ICTSI, essa relação poderia facilitar a troca de informações concorrencialmente sensíveis e criar riscos de coordenação entre as empresas.

Os técnicos do Cade, no entanto, afirmaram que esses argumentos "não ultrapassam o campo das conjecturas e carecem de elementos probatórios mínimos aptos a sustentar a existência de divisão de mercado, troca de informações concorrencialmente sensíveis, fraude à licitação ou qualquer outra infração à ordem econômica".

A companhia também questionou os incentivos criados pelo acordo para a própria disputa pelo Tecon Santos 10. Na avaliação da ICTSI, cada armadora passaria a disputar o leilão sabendo que, em caso de derrota, teria assegurada uma posição no BTP. A empresa chegou a sustentar que o arranjo poderia configurar coordenação entre concorrentes e pediu investigação específica sobre o tema.

A ICTSI também queria que os processos fossem retirados do rito sumário e submetidos a uma análise mais aprofundada, além de pedir que a avaliação fosse suspensa até a publicação do edital definitivo do Tecon Santos 10.

"A operação mostra-se no mínimo neutra, sob a ótica de efeitos coordenados, na medida em que não reduz a rivalidade existente, não cria mecanismos adicionais de coordenação entre concorrentes e, ao encerrar a relação societária no BTP, tende a reforçar os incentivos para que cada agente maximize de forma independente o desempenho econômico de seu próprio terminal no Complexo Portuário de Santos", rebateram os técnicos do Cade.

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