O avanço da reforma tributária, a digitalização das operações e a profissionalização das propriedades rurais estão mudando a relação entre produtores e contadores. O profissional precisa compreender o negócio, interpretar informações e participar das decisões. Essa transformação será discutida no
Congresso de Agrocontabilidade (Agrocon), nesta quinta e sexta-feira,
dias 10 e 11 de setembro, no Centro de Eventos do
BarraShoppingSul, em Porto Alegre.
O encontro reunirá especialistas para discutir a complexidade da atividade rural e os efeitos da reforma tributária. A programação terá a participação de
Everardo de Almeida Maciel, ex-secretário da Receita Federal, na abertura, com análise sobre a Reforma Tributária e o agronegócio. Também estarão
Fábio Calcini, Silvio Crepaldi, Pedro Anceles, Lucas Lima, Alexandre Rossato Ávila e Elielton Souza. Participam ainda
Justine Arruda, Karoline Karsten, Pâmela Fiuza, Jane Berwanger e Mari Moreira.
Justine Arruda, contadora e mentora do Agrocon
AGROCON/DIVULGAÇÃO/JC
Justine Arruda, contadora e mentora do Agrocon, considera indispensável a especialização de quem atende o produtor rural. “A contabilidade rural não é simplesmente levar a contabilidade de uma empresa para dentro da propriedade. O profissional precisa conhecer profundamente a atividade rural e, principalmente, a tributação”, afirma. O contador deve compreender os impactos das regras nas decisões do produtor.
“Temos muitos dados dentro da propriedade rural, mas muitas vezes eles estão dispersos. O desafio é organizar, interpretar e transformar essa informação em algo que o produtor consiga utilizar”, explica Justine. Segundo ela, é preciso superar a percepção de que a contabilidade serve apenas para calcular impostos ou cumprir obrigações.
Karoline Karsten, contadora referência nacional em contabilidade rural e LCDRP
AGROCON/DIVULGAÇÃO/JC
Karoline Karsten, contadora referência em contabilidade rural e Livro Caixa Digital do Produtor Rural (LCDPR), aponta a necessidade de antecipar os efeitos das mudanças.
“Mais do que conhecer a legislação, o contador precisa olhar para a realidade de cada cliente e entender de que forma aquelas mudanças vão atingir a atividade dele”, afirma. “Quanto antes o contador conseguir identificar os impactos e levar essas informações para o produtor ou para a empresa, mais tempo eles terão para se preparar e tomar decisões com segurança”, destaca.
Pâmela Fiuza, contadora especialista em agronegócio e recuperação judicial de empresas
AGROCON/DIVULGAÇÃO/JC
Pâmela Fiuza, contadora especialista em agronegócio e recuperação judicial, chama atenção para a profissionalização das propriedades. “O profissional precisa compreender o ciclo produtivo, a sazonalidade, as diferentes cadeias, os riscos climáticos, as particularidades patrimoniais e a forma como cada produtor ou empresa se relaciona com o mercado”, afirma.
“Hoje, não basta dominar exclusivamente contabilidade e tributação. É necessário desenvolver conhecimentos em gestão, finanças, tecnologia, análise de dados, planejamento tributário e modelos de negócio”, avalia.
Jane Berwanger, advogada especialista em Direito Previdenciário
AGROCON/DIVULGAÇÃO/JC
Jane Berwanger, advogada especialista em Direito Previdenciário, acrescenta a necessidade de planejamento previdenciário.
“O essencial é que a pessoa faça um planejamento previdenciário e a contabilidade, porque, dependendo do caso, haverá desconto na fonte”, explica. Para Jane, conhecer as regras é essencial para evitar orientações que deixem o produtor desprotegido. “É fundamental estar sempre por dentro das mudanças, para não passar uma orientação errada àquele que é o destinatário final, que é o produtor rural”, ressalta.
Mariana Moreira, contadora e técnica em agronegócios, especialista contabilidade, tributação do agronegócio e em crédito rural
AGROCON/DIVULGAÇÃO/JC
Mariana Moreira, contadora e técnica em agronegócios, especialista em contabilidade e tributação do setor, destaca o impacto da tecnologia. “A tecnologia está mudando profundamente a forma como a contabilidade é realizada”, afirma. A digitalização, a integração de sistemas, a automação fiscal e a inteligência artificial ampliam o espaço para uma atuação mais analítica e estratégica.