Os números de 2025 mostram que o Brasil registrou um recorde de empresas em recuperação judicial: são 5.680 companhias, de acordo com o Monitor RGF. Destas, 507 estão no Rio Grande do Sul, que fica em segundo lugar no ranking nacional de reestruturações, atrás apenas de São Paulo e à frente de Minas Gerais, terceiro colocado no levantamento.
Segundo dados da Junta Comercial, Industrial e Serviços do Rio Grande do Sul (JucisRS), foram 200 pedidos de recuperação protocolados por empresas gaúchas em 2025 – um aumento de 23% em relação a 2024, também recorde no monitoramento do órgão. Especialistas veem o cenário como consequência de um ambiente econômico que segue desafiador – o que deve manter o ritmo das reestruturações elevado no decorrer de 2026.
Para Eduardo Grangeiro, advogado especializado em reestruturação empresarial e head da área no escritório SCA Scalzilli Althaus, os números refletem um somatório de dificuldades próprias de cada empresa à deterioração das condições de crédito e a uma melhor compreensão sobre a recuperação judicial como ferramenta de reorganização. “Sempre que tratamos de RJ, estamos falando de negócios viáveis, ainda em operação e, portanto, com um universo vivo de interesses a ser tutelado.
Somos procurados por empresários enfrentando diferentes estágios de crise, cada qual com suas particularidades, mas todos pressionados por juros elevados, crédito restrito e deficiências de caixa. Quando a atividade viável, desde que passe por período de ‘fôlego’ sem pagamento do passivo cumulado e que tal seja reestruturado à real capacidade empresarial de pagamento, a recuperação judicial surge como alternativa de gestão importantíssima, abrindo possibilidades que deveriam ser conhecidas por todos os empresários preventivamente inclusive, pois, sua aplicação no tempo adequado e com um plano de ação adequado, transformam o futuro da operação”, afirma.
De acordo com Eduardo Grangeiro, o ritmo das recuperações judiciais não deve desacelerar em 2026, mesmo diante de eventual recuo gradual dos juros. No ano passado, o Brasil registrou recorde histórico, com cerca de 5,6 mil empresas em processo de reestruturação, 24,3% a mais em relação ao fim de 2024. Ele explica que o período prolongado de juros altos e a restrição ao crédito tradicional têm levado, sobretudo médias e pequenas empresas, a recorrer à recuperação judicial como alternativa para ganhar fôlego financeiro.
“No Rio Grande do Sul, o avanço dos pedidos veio, também, do sabido impacto de eventos climáticos severos nos últimos anos. E há diversos negócios ainda abalados, sobrevivendo com ‘feridas’ sensíveis, com contas adicionais a saldar. Em muitos casos, empresas com dificuldades sequer avançaram na busca por assessoria jurídica especializada. A reorganização empresarial, portanto, deve seguir como tema central em 2026”, destaca.
O advogado também ressalta para o traço cultural de bravura do empresário gaúcho, que tende a buscar sozinho soluções para superar desafios complexos, o que pode acabar prolongando as tentativas e dificultando a resolução do problema. Embora a intenção seja nobre, essa postura pode acabar agravando o cenário.
“A pressão de cobranças tende a tirar seu foco da operação e forçar decisões equivocadas relativas ao endividamento. Há possibilidades legais, dentro e fora da recuperação judicial, que podem auxiliar substancialmente acrescidas a esse espírito peleador, tornando concreta a reconstrução da saúde da empresa e do empresário”, destaca o sócio da SCA.
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