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Publicada em 20 de Janeiro de 2026 às 17:06

Baixa adesão voluntária a reportes de sustentabilidade expõe desafios da transição ESG no Brasil

Eliana Camejo é conselheira de Administração e vice-presidente da Sustentalli – Cooperativa de Especialistas em Sustentabilidade e Governança

Eliana Camejo é conselheira de Administração e vice-presidente da Sustentalli – Cooperativa de Especialistas em Sustentabilidade e Governança

Eliana Camejo/Arquivo Pessoal/JC
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A baixa adesão voluntária das empresas brasileiras aos novos padrões internacionais de reporte de sustentabilidade indica que o país ainda enfrenta desafios relevantes na consolidação das práticas ESG. A avaliação é de Eliana Camejo, conselheira de Administração e vice-presidente da Sustentalli – Cooperativa de Especialistas em Sustentabilidade e Governança, ao analisar o encerramento do prazo previsto na Resolução nº 193 da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), em 31 de dezembro de 2025. A norma permitia que companhias abertas e fundos de investimento optassem, de forma antecipada, pela divulgação de relatórios de sustentabilidade alinhados às normas IFRS S1 e S2, que estabelecem critérios para a integração de riscos, oportunidades e impactos socioambientais à estratégia, à governança e à gestão financeira das organizações. Das 700 companhias listadas na B3, apenas oito comunicaram a adesão voluntária aos novos padrões. Embora a adoção obrigatória esteja valendo para exercícios iniciados a partir de 1º de janeiro de 2026, com divulgação dos dados prevista apenas para 2027, Eliana destaca que o tempo efetivo de preparação é significativamente maior. “A construção de inventários de emissões, a estruturação da governança climática, o mapeamento de riscos financeiros e a revisão de controles internos exigem, em média, de 12 a 18 meses de trabalho”, afirma. Segundo Eliana, o risco vai além do cumprimento regulatório. A partir de 2026, investidores, bancos, seguradoras e auditorias devem ampliar a exigência por evidências objetivas de gestão de riscos climáticos e de sustentabilidade financeira no longo prazo. “Empresas que não estiverem preparadas tendem a enfrentar maior custo de capital, restrições de crédito e questionamentos sobre a qualidade da sua governança”, pontua. A especialista ressalta que os impactos da transição também se refletem no comportamento do consumidor. Pesquisa recente da Kantar mostra que 51% dos jovens da Geração Z no Brasil afirmam que optar por produtos e serviços sustentáveis está alinhado aos seus valores. Entre os millennials, o índice sobe para 58%, reforçando a pressão por coerência entre discurso e prática empresarial. Para Eliana Camejo, o cenário marca o fim de compromissos genéricos e ações superficiais. “A sustentabilidade passa a ser medida pela capacidade das organizações de identificar, mensurar e integrar riscos climáticos e impactos socioambientais ao núcleo das decisões estratégicas, influenciando investimentos, governança e a perenidade dos negócios”, conclui. Diante desse contexto, ela avalia que o movimento é inevitável. A escolha das empresas, agora, é entre antecipar-se e liderar a transição ou reagir sob pressão, com riscos concretos à competitividade em um ambiente cada vez mais orientado por transparência, gestão de riscos e geração de valor sustentável.

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