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Publicada em 23 de Setembro de 2025 às 17:06

ISSQN caminha para extinção e Porto Alegre se prepara para impacto da Reforma Tributária

Dameda diz que enchente pode ter reflexos na arredação pelos próximos 50 anos

Dameda diz que enchente pode ter reflexos na arredação pelos próximos 50 anos

JULIA FERREIRA/PMPA/JC
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Osni Machado
Osni Machado Colunista
A Reforma Tributária aprovada no Brasil vai alterar profundamente a estrutura da arrecadação de estados e municípios. Entre as principais mudanças, está a extinção do ISSQN, principal fonte de receita para muitas cidades, especialmente as maiores, que será gradualmente substituído pelo Imposto sobre Bens e Serviços (IBS). O processo de transição inicia em 2026 e se estende até 2032, mas os efeitos práticos se farão sentir por décadas, já que a redistribuição de receitas entre União, estados e municípios seguirá até 2077.
A Reforma Tributária aprovada no Brasil vai alterar profundamente a estrutura da arrecadação de estados e municípios. Entre as principais mudanças, está a extinção do ISSQN, principal fonte de receita para muitas cidades, especialmente as maiores, que será gradualmente substituído pelo Imposto sobre Bens e Serviços (IBS). O processo de transição inicia em 2026 e se estende até 2032, mas os efeitos práticos se farão sentir por décadas, já que a redistribuição de receitas entre União, estados e municípios seguirá até 2077.
Em Porto Alegre, a preocupação é ainda maior. O período utilizado como base para o cálculo da fatia de cada ente federativo foi prejudicado pelas enchentes que reduziram a arrecadação do município, o que pode comprometer a participação da capital gaúcha nas receitas futuras do IBS pelos próximos 50 anos. Para enfrentar o desafio, a prefeitura vem reforçando programas de recuperação de créditos e fiscalização, como o RecuperaPOA, que oferece descontos expressivos para regularização de débitos.
Na avaliação de Fabrício Dameda, secretário-adjunto da Secretaria Municipal da Fazenda (SMF), auditor-fiscal da Receita Municipal e representante de Porto Alegre no Pré-Comitê Gestor do IBS, o cenário exige atualização imediata, sobretudo para profissionais da contabilidade, que terão papel central na adaptação de empresas e governos à nova realidade tributária. Dameda detalhou um pouco mais sobre o assunto em entrevista para o JC Contabilidade. O secretário-adjunto entende que o momento é de grande desafio, sobretudo para a área contábil, mas também lembra que todo grande desafio apresenta uma grande oportunidade.
JC ContabilidadeO que vai acontecer com o ISSQN após a Reforma Tributária?
Fabrício Dameda – O ISSQN será extinto após o período de transição que ocorrerá de 2029 a 2032, conforme previsto na emenda constitucional nº 132 que trouxe a Reforma Tributária. A partir do ano de 2033 o ISSQN deixa de existir para novos fatos geradores.
Contab Hoje, os municípios são responsáveis pela arrecadação do ISSQN?
Dameda – Sim, o ISSQN é o principal imposto dos municípios e o maior responsável pela arrecadação municipal nas grandes cidades. Em Porto Alegre, por exemplo, o ISSQN é o principal tributo em arrecadação.
Contab O que pensa sobre o IBS - imposto nacional que unificará ISSQN e ICMS, com gestão compartilhada por estados e municípios?
Dameda – Sem dúvida para os contribuintes pessoas jurídicas, em especial aqueles com uma cadeia produtiva mais longa, o novo tributo trará vantagens competitivas, bem como mais neutralidade nas decisões, que passam a ser mais de ordem econômica do que em função de planejamento tributário. Já para estados e municípios, torna-se um imposto muito mais complexo que o atual e muito desafiador em razão de seu caráter nacional, com base tributária ampla, ou seja, agregando diversos segmentos que eram contribuintes apenas de ICMS ou de ISSQN e agora são todos contribuintes do IBS.
ContabComo será o recolhimento do IBS?  
Dameda – Bom, o IBS será sempre recolhido diretamente ao Comitê Gestor e não mais diretamente a cada ente. Essa é uma mudança importante que trará simplicidade para o contribuinte, melhorando a forma como ele paga os tributos, não mais precisando se relacionar com uma série de estados e/ou municípios e centralizando o recolhimento diretamente ao Comitê Gestor.
ContabHá dependência do ISSQN?
Dameda – Para as grandes cidades, o ISSQN é um imposto muito importante e tem participação fundamental na receita dos municípios, permitindo que as políticas públicas, em especial na saúde e educação, sejam implementadas. Além disso, como o ISSQN incide sobre a prestação de serviços, é um imposto com uma capacidade potencial de arrecadação em pleno crescimento. Contudo, a reforma trouxe esse prazo de transição, que busca garantir que não haja perdas na arrecadação, mesmo dos municípios com grande dependência do ISSQN.
ContabO que preocupa a prefeitura de Porto Alegre?
Dameda – A preocupação da prefeitura, bem como dos demais entes nesse momento, é melhorar a arrecadação de ISSQN de forma imediata. Isso porque, para a transição federativa, a distribuição da arrecadação do IBS para os entes será balizada na arrecadação que cada ente manteve no período de 2019 a 2026, em relação ao ISSQN e ICMS.
ContabComo a União pretende compensar as cidades? É com repasses automáticos e um fundo de equalização de receitas?
Dameda – Não há essa previsão, infelizmente. O único fundo criado que deverá ter aporte da União é destinado a compensar contribuintes que tenham benefícios fiscais de ICMS que deveriam perdurar por período superior a 2033, ano em que o imposto deixa de existir. A mitigação de eventuais perdas das cidades está prevista pela transição federativa.
ContabO que muda para as empresas. Elas deixarão de lidar com legislações municipais distintas e passarão a recolher em sistema unificado?
Dameda – Sim, a partir de 2033, quando não mais existirem ICMS e ISSQN, as empresas terão apenas uma única legislação e um único regulamento para atender em relação ao IBS.
ContabComo ocorrerá a transição? 
Dameda – A Reforma Tributária trouxe três tipos de transição: a transição entre os tributos, a transição federativa e uma última que foi chamada de “seguro-receita”.
Contab – Quais setores serão mais impactados?
Dameda – Considerando que o ISSQN é um tributo cumulativo, indica que as empresas que são contribuintes desse imposto, por terem cadeias muito curtas ou inexistentes, deverão sofrer o maior impacto. Saúde e educação já têm previsão de regimes específicos, que visam mitigar esses impactos. Os setores mais beneficiados serão os setores produtivos de cadeias maiores, como as indústrias e os exportadores de uma forma geral.
ContabHá um alerta para área da contabilidade para estar preparada?
Dameda – É fundamental a preparação prévia da área contábil, ainda que seja possível prever uma simplificação no médio e longo prazo. O início da operação dos novos tributos será sem dúvida muito desafiador, pois teremos os tributos existentes que já são complexos de manejar e serão agregados mais dois novos tributos, CBS e IBS, que conviverão ainda com os antigos até 2032.

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