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Responsabilidade Social

- Publicada em 18 de Abril de 2022 às 03:00

ONG Girassol promove rede de apoio LGBTQIA em São Borja

Organização atua de forma articulada com diversas ações para o público

Organização atua de forma articulada com diversas ações para o público


/girassol/divulgação/jc
Motivada pelas reuniões semanais de jovens que ocorriam na sua casa, Ilza Maria Robalo sugeriu a criação de uma ONG em que poderiam pautar demandas de direitos sociais e políticas públicas de pessoas LGBTQIA . Assim, em 28 de junho de 2008, foi fundada a ONG Girassol Amigos da Diversidade. Nesse primeiro momento, as ações ainda não eram voltadas diretamente às pautas LGBT, mas sim ao município de São Borja.
Motivada pelas reuniões semanais de jovens que ocorriam na sua casa, Ilza Maria Robalo sugeriu a criação de uma ONG em que poderiam pautar demandas de direitos sociais e políticas públicas de pessoas LGBTQIA . Assim, em 28 de junho de 2008, foi fundada a ONG Girassol Amigos da Diversidade. Nesse primeiro momento, as ações ainda não eram voltadas diretamente às pautas LGBT, mas sim ao município de São Borja.
Com o passar dos anos, a organização passou a atuar de forma articulada como uma rede de apoio aos jovens LGBTs, fortalecendo suas identidades e defendendo o acesso à saúde, assistência social, educação e cultura. Em 2018, a ONG criou o Ambulatório da Saúde LGBTTQIA em parceria com a Secretaria de Saúde, trabalhando com hormonioterapia para homens e mulheres transexuais, além de auxiliar os LGBTTQIA em situação de vulnerabilidade social, no acesso aos atendimentos oferecidos na rede de saúde. Localizado dentro do antigo Hospital São Francisco, o ambulatório conta com uma rede de apoio completa.
O projeto do ambulatório foi selecionado em um edital nacional e todos os itens foram adquiridos com ajuda da captação de recursos do Fundo Positivo. Diferente de outros ambulatórios do Estado, que prestam serviço especificamente para transexuais, o de São Borja é voltado para todas as pessoas da sigla LGBTQIA . "Quando a gente prioriza trabalhar com todas essas identidades e a questão da proteção da saúde mental, a gente prioriza que as famílias também sejam atendidas dentro do ambulatório", revela Lins Robalo, coordenadora da ONG.
A instituição compreende que se não garantirem um entendimento dos familiares quanto às identidades LGBTs, não estariam atendendo de modo geral a saúde de seus usuários. Dessa maneira, eles criaram o grupo Mães do Bem, onde debatem questões familiares a partir da percepção dos pais sobre as múltiplas identidades de gênero.
Uma das conquistas da organização foi a Virada Cultural. O evento da ONG foi inspirado na Virada Cultural de São Paulo, que antecede a Parada Livre, e é o primeiro nesses moldes em todo o Estado. A proposta da ação é 24 horas de cultura LGBT.
Outra ação da instituição foi o Fórum LGBT, financiado pela Fundação Luterana Diaconia junto com a Fundação FASE e o Fundo SAAP do Rio de Janeiro.
 

Lins Robalo é a primeira vereadora travesti de São Borja

Em 15 anos de ações e mobilizações da ONG Girassol Amigos da Diversidade, apresentando sujeitos e situações, fez com que a percepção cultural dentro de São Borja mudasse. Nas eleições de 2020, Lins Robalo, coordenadora da instituição, foi eleita a primeira vereadora travesti da cidade. Filiada ao PT, para ela é uma responsabilidade muito grande estar ocupando esse espaço do parlamento e da política como um todo. "A gente precisa que a sociedade entenda sobre as nossas diversidades", comenta.
Ela destaca ainda que apesar de pessoas LGBTs sofrerem algumas violações a mais, elas ainda ocupam o mesmo espaço de violações que toda a sociedade. "Se o ônibus está ruim para um está ruim pra todos, a fome atinge a todos nós, pautamos as nossas vidas como importantes sem deixar de nos entender presentes dentro do contexto do conjunto social" afirma a vereadora.
A pandemia está sendo desafiadora para a entidade, que passou os dois primeiros anos sem ações presenciais. Em 2020, conseguiram distribuir 480 cestas básicas para o grupo de jovens atendidos dentro da ONG. No passado, foram cerca de 360. Todos esses aportes foram adquiridos através de doações de instituições como a Pirahy Alimentos, Sindicato dos Bancários, Ministério Público Estadual e o Conselho Estadual LGBT. "Nós tivemos amplo apoio e dialogamos com a comunidade de forma a aproximar a comunidade LGBT a esses outros setores, para que a gente pudesse efetivar uma segurança alimentar para esses jovens e famílias que atendemos", conta Robalo. Em 2021, a instituição chegou a receber 3 mil reais em doações.
Como a ONG ainda não possui CNPJ, as doações podem ser feitas para o número: 55 999611-0393.Além de receberem doações, eles estão abertos ao dialogo e fortalecimento das causas LGBTTQIA .Mais informações podem ser encontradas na página de Instagram (@girassoldiversidade).