As medidas de isolamento social para frear a transmissão do coronavírus aceleraram a tendência de digitalização dos serviços financeiros no varejo, com implicações para a sociedade que precisam ser acompanhadas com atenção a partir de agora.
Segundo o Conselho de Estabilidade Financeira (FSB, na sigla em inglês), órgão internacional que monitora e faz recomendações sobre o sistema financeiro global, o desenvolvimento das big techs e das fintechs pode trazer benefícios aos clientes, como maior eficiência de custos e inclusão financeira mais ampla para grupos desassistidos.
No entanto, o FSB assinala também que o avanço das novas empresas digitais no ramo das finanças pode trazer implicações negativas. Entre os pontos de atenção, o órgão elenca o número relativamente limitado de provedoras de serviços em determinados segmentos de atuação, a complexidade e falta de transparência das atividades correlatas dessas empresas, e incentivos em potencial para assumir maior risco para manter os níveis de rentabilidade.
"Também pode haver riscos à proteção dos consumidores por conta da maior dependência tecnológica e relativas à proteção de dados", aponta o FSB no documento, acrescentando que o número limitado de provedores de serviços em nuvem pode potencializar o impacto de qualquer eventual vulnerabilidade operacional.
Na avaliação do conselho, a expansão das grandes empresas globais de tecnologia evidencia a necessidade de serem abordadas com mais profundidade as lacunas de tratamento de dados que dificultam a avaliação dos riscos financeiros e da importância sistêmica dessas empresas.
"Essas lacunas de dados tornam difícil para as autoridades decidirem se e como regular as big techs", diz o FSB, lembrando ainda que o uso de carteiras digitais (oferecidas principalmente pelas novas empresas de tecnologia) cresceu de cerca de 6,5% em todas as transações de comércio eletrônico em escala global em 2019, para 44,5% em 2020. "Em alguns países, como China e Índia, onde as big techs estavam bem posicionadas antes da pandemia, elas continuam a dominar os mercados de pagamento móvel", diz o órgão internacional. O FSB destaca ainda que diversos países têm adotado "medidas notáveis" com impacto direto para as big techs.
Em um ambiente de uso cada vez mais intensivo das ferramentas digitais, a Febraban (Federação Brasileira de Bancos) assinou nesta terça (22) acordo de cooperação técnica com a Polícia Federal para o desenvolvimento de medidas preventivas, educativas e de repressão aos crimes cibernéticos e de ataques de alta tecnologia.
De acordo com a federação dos bancos, a medida busca tornar o espaço cibernético mais seguro. O texto prevê um relacionamento mais próximo e maior colaboração entre o setor bancário e as autoridades policiais, com troca permanente de informações sobre o tema, intercâmbio de dados e apoio técnico e logístico.