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Publicada em 09 de Outubro de 2026 às 10:46

Parceiros Voluntários capacita organizações sociais para enfrentar emergências climáticas

Programa promove capacitação e elaboração de planos de contingência em escolas e entidades atingidas pelas enchentes de 2024

Programa promove capacitação e elaboração de planos de contingência em escolas e entidades atingidas pelas enchentes de 2024

Vinícius Luz/Divulgação/JC
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A Parceiros Voluntários, Organização Não Governamental (ONG) sem fins lucrativos e apartidária, encerrou, na quinta-feira passada (8), o Construir Juntos, maior programa desenvolvido pela entidade em seus 29 anos de atuação. Iniciada em maio, a iniciativa, que teve como objetivo fortalecer organizações da sociedade civil (OSCs), escolas públicas e redes de atenção primária impactadas pelas enchentes de 2024, capacitou 785 alunos da rede pública de ensino e 204 OSCs, além de investir R$ 2,5 milhões em ações sociais e sustentáveis.

Com atuação em 11 municípios, distribuídos entre a Região Metropolitana de Porto Alegre, os vales do Taquari e do Caí, a Serra Gaúcha e a região Sul, especialmente Pelotas e Rio Grande, o programa buscou preparar, por meio da capacitação e da disseminação de conhecimento, escolas e organizações sociais para enfrentar emergências climáticas. 

Segundo a superintendente da Parceiros Voluntários, Graziela Loureiro, a iniciativa surgiu da necessidade de dar continuidade ao apoio às instituições atingidas pelas enchentes de 2024, com ações voltadas à recuperação e ao fortalecimento de sua estrutura. 

“Durante as enchentes, fizemos todo o suporte emergencial, organizando a logística, as doações e a captação de recursos. No final de 2025, elaboramos um programa para atuar de forma mais estruturante nessas regiões afetadas. Por isso, o nome é 'Construir Juntos'", afirma.

A partir disso, o programa foca justamente em ampliar a capacidade de resposta das instituições diante de novas situações de emergência, além de incentivar a articulação entre organizações e comunidades. Para Graziela, o trabalho parte do reconhecimento de que escolas e entidades sociais desempenham um papel de referência nos territórios. 

“Infelizmente, esses eventos climáticos extremos têm feito cada vez mais parte da nossa realidade. Por isso, precisamos fortalecer essas organizações que, especialmente no interior do Estado, funcionam como pontos de referência para a comunidade em momentos de calamidade”, afirma.

Além da formação, 50 organizações selecionadas por meio de edital receberam um fundo semente de R$ 20 mil, destinado ao atendimento de necessidades específicas de cada instituição. Para acessar os recursos, as entidades precisam apresentar projetos e, após a aprovação, participar das capacitações previstas pelo programa.

Ao longo da iniciativa, foram atendidas 36 escolas da rede pública. Os estudantes receberam 572 horas de formação e os professores 258 horas. Já as OSCs receberam 278 horas de capacitação. Como resultado, as instituições elaboraram planos de contingência para orientar a atuação diante de situações de emergência.

“Gostaríamos que essas organizações jamais precisassem lançar mão desse plano. Mas é muito gratificante ver que, em momentos de necessidade, elas tenham esse material para poder agir e o conhecimento necessário para torná-lo eficiente”, relata.

Na Emef Profª Maria Da Gloria Goncalves Da Silva, de Sapucaia do Sul, a iniciativa envolveu estudantes do 6º ano na identificação de problemas e na proposição de soluções para a comunidade. Professora da rede e uma das lideranças de projetos ambientais na escola, Karla Katarine Botton da Silva destaca a importância de sensibilizar os jovens para questões ambientais e para o papel que podem desempenhar em suas comunidades.

Professora Karla Katarine Botton da Silva e Yasmin de Camargo, estudante do 6º ano da Emef Profª Maria Da Gloria Goncalves Da Silva  | Marina Mugnol/Especial/JC
Professora Karla Katarine Botton da Silva e Yasmin de Camargo, estudante do 6º ano da Emef Profª Maria Da Gloria Goncalves Da Silva Marina Mugnol/Especial/JC

“Nosso papel é sensibilizar a consciência dos estudantes. Quando eles discutem a questão do lixo na rua e entendem que ele vai acabar em algum lugar, podendo provocar alagamentos, percebem que são agentes capazes de fazer as coisas acontecerem. Não precisam esperar que tudo venha pronto”, salienta a Yasmin.

O projeto desenvolvido pela turma realizou entrevistas com moradores locais para identificar demandas da comunidade. Uma das alunas envolvidas, Yasmin de Camargo, avalia que a experiência ampliou o contato com temas pouco abordados em sala de aula.  “Eu achei muito legal. Foi um aprendizado a mais, porque não temos muitas aulas em que falamos sobre esses assuntos”, conta.

A escola também recebeu recursos para iniciativas escolhidas pelos próprios alunos. Entre as ações previstas estão uma visita ao Museu de Ciência e Tecnologia da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (Pucrs), melhorias na horta escolar e a instalação de uma cisterna para captar água da chuva.

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