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Publicada em 02 de Outubro de 2026 às 11:46

O jeito chinês de negociar

Leonardo Baum é empresário e associado do IEE

Leonardo Baum é empresário e associado do IEE

Leonardo Baum/Arquivo Pessoal/JC
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Leonardo Baum
Empresário e associado do IEE
Entre 15 de outubro e 4 de novembro, Guangzhou, na China, recebe a 140ª edição da Canton Fair, a maior feira multissetorial do mundo. Em 2025, quase 289 mil compradores estrangeiros de 219 países passaram pela feira. Muitos empresários brasileiros desembarcarão em busca de fornecedores e melhores preços, mas boa parte volta sem perceber que a negociação mais importante acontece longe dos estandes.

Depois de dois dias de viagem, o empresário chega a Guangzhou com a agenda cheia e ainda em jet lag. Quando a última reunião termina, um fornecedor convida para jantar. Ele aceita por educação, mas pensa que talvez fosse melhor descansar.

Durante o jantar, a conversa passa por mercado e planos futuros, mas também por família, hobbies e viagens, assuntos que dificilmente apareceriam numa reunião formal.

Em minhas primeiras idas à China, pensei que aqueles jantares fossem apenas gestos de educação. Com o tempo, entendi que a conversa depois da negociação também fazia parte dela. Do outro lado da mesa, o fornecedor está avaliando quem é você: como trata as pessoas, se é confiável, e se está diante de um pedido pontual ou de uma potencial parceria duradoura. Foi então que conheci um conceito central na cultura de negócios chinesa, o guanxi.

Nunca encontrei tradução perfeita para guanxi. Alguns o aproximam de networking, outros de confiança. Prefiro vê-lo de forma simples, como a maneira pela qual empresários chineses constroem relações que sustentam parcerias de longo prazo.

No Brasil também negociamos assim, num jantar, num happy hour ou por meio de uma indicação de confiança. Aqui, isso ajuda a negociação. Na China, é parte fundamental dela.

Na prática, o guanxi mostra valor quando algo sai do planejado. Com ele, você ganha prioridade, e o fornecedor busca alternativas diante de imprevistos. Mas tem limite, e não substitui o que sustenta qualquer negócio na China: especificações claras, inspeções de qualidade e pagamentos alinhados às etapas do pedido.

Na Canton Fair, o preço de um produto se revela no estande da feira. A confiança, por sua vez, é construída na mesa do jantar. É isso que separa quem compra da China de quem negocia com ela.

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