Quando uma empresa fala em ESG, é comum que a discussão comece dentro de seus próprios muros como a redução de emissões, eficiência energética, gestão de resíduos, diversidade e governança. São compromissos importantes, mas existe uma pergunta que precisa ganhar mais espaço nessa agenda: como as empresas estão contribuindo para melhorar as cidades onde as pessoas vivem e circulam?
Essa reflexão se torna necessária quando falamos de água. Embora seja um recurso essencial à vida, o acesso gratuito à água potável ainda não faz parte da infraestrutura cotidiana de muitos espaços públicos brasileiros. Praças, parques, ciclovias, áreas esportivas e locais de grande circulação nem sempre oferecem condições adequadas para que as pessoas possam se hidratar.
Estimular a ocupação de espaços públicos, a prática esportiva e a mobilidade ativa sem garantir condições básicas para essa permanência revela uma contradição que precisamos enfrentar. É nesse ponto que o ESG pode deixar de ser apenas uma métrica corporativa e se transformar em instrumento de transformação urbana. Empresas têm capacidade financeira, tecnológica e de articulação para participar de soluções que beneficiem diretamente a população. Isso não significa transferir responsabilidades, mas reconhecer que os desafios das cidades exigem colaboração entre diferentes setores.
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