Porto Alegre,

Anuncie no JC
Assine agora

Publicada em 07 de Novembro de 2025 às 18:00

Projeto Amewà — da trança como renda, identidade e futuro

Primeira turma de trancistas do projeto do Instituto Caminho

Primeira turma de trancistas do projeto do Instituto Caminho

Alisson Batista/divulgação/JC
Compartilhe:
Gabrieli Silva
Gabrieli Silva Repórter
No Brasil, o setor da beleza é uma das portas de entrada para o empreendedorismo feminino. Em muitos bairros, mulheres começam trançando cabelos em casa, atendendo vizinhas e amigas para complementar renda, sem formalização, sem precificação e sem apoio para gestão.
No Brasil, o setor da beleza é uma das portas de entrada para o empreendedorismo feminino. Em muitos bairros, mulheres começam trançando cabelos em casa, atendendo vizinhas e amigas para complementar renda, sem formalização, sem precificação e sem apoio para gestão.
É nesse contexto que nasce o Amewà, projeto de formação profissional criado pelo Instituto Caminho.
"Amewà significa 'especialista em beleza' em iorubá. Na cosmovisão africana, beleza é caráter, é como nos relacionamos com o outro. Não é só um penteado; é autoestima, identidade e ancestralidade", explica Janove.
A primeira turma reuniu 13 mulheres trancistas entre mais de 50 inscritas. O objetivo: capacitar, formalizar e transformar trabalho em negócio. Muitas cobravam valores muito baixos e não se reconheciam como empreendedoras.
"Tivemos trancistas que cobravam R$40 pela trança e, depois da formação, entenderam que podiam cobrar R$200. Elas passaram a se ver como donas de negócio, não como alguém que faz bico." destaca Michel Nascimento.
Além da técnica, o curso ensina precificação, fluxo de caixa, construção de marca, contrato e visão de futuro. As próximas turmas devem expandir para barbeiros, nail designers e lash designers — já há lista de espera.
Enquanto o mercado da moda se apropria da estética de tranças, turbantes, dreadlocks e cabelos naturais, o Amewà devolve o protagonismo à comunidade negra: "Há um mercado lucrativo em torno do cabelo negro. O Amewà garante que essa renda volte para quem sempre cuidou dessa cultura."
Quando uma mulher negra entende que seu trabalho tem preço e história, ela não apenas empreende: ela reorganiza a própria economia e cria futuro.

Notícias relacionadas