Constituída em agosto de 2013 por 28 entidades, a Agência de Desenvolvimento do Médio Alto Uruguai (Admau) é a gestora do APL Agroindústrias Familiares e Diversidade do Médio Alto Uruguai e Rio da Várzea. O organismo obteve reconhecimento pelo governo um ano antes, especificamente para o Médio Alto Uruguai. Em função de similaridade territorial e de objetivos, foi agregado o Corede Rio da Várzea, totalizando 43 municípios envolvidos.
A Admau, que substituiu a Universidade Regional Integrada de Frederico Westphalen, primeira entidade gestora do APL, também foi criada para prestar serviços, principalmente para a formalização das agroindústrias familiares. A região abrangida, de acordo com Eliseu Luis Liberalesso, diretor-executivo da organização, detém um dos maiores contingentes de agroindústrias no estado, superando 350 empreendimentos. Também são representativas as cooperativas e propriedades de integrados de suínos. Frederico Westphalen e Palmeira das Missões são os municípios de maior representação da atividade na região.
Liberalesso destaca que a restrição de recursos para os APLs iniciou no governo de José Ivo Sartori por diversos fatores. O último valor substancial foi repassado no final do governo de Tarso Genro, em 2014, com o qual foi criada uma plataforma digital denominada Alimento de Origem, ainda ativa. Composta por vários módulos, foi desenvolvida em parceria com a Universidade Federal de Santa Maria-Campus Frederico Westphalen, para atender demandas de rastreabilidade de produtos vegetais; proporcionar a ampliação de canais de comercialização por meio da vitrine de produtos, lojas online e feira virtual; e fornecer funcionalidades necessárias para a implantação do Serviço de Inspeção Municipal (SIM).
Sem verba estadual, a Admau passou a ter sustentação financeira por meio da oferta de serviços especializados para diferentes organismos da região, mas especialmente aos municípios na formatação do SIM. Liberalesso explica que a agroindústria é um nicho de mercado alternativo, mas de muitos gargalos, em especial quanto à legalização. "As prefeituras precisavam criar os serviços de inspeção, mas faltava orientação. Criamos assessoria com um grupo de profissionais para contribuir tecnicamente com as administrações públicas e empresas", destacou.
Pela falta de ajuda pública para avançar nesta política, Liberalesso define que a continuidade efetiva das organizações tem sido o grande problema dos últimos 10 anos. "A sobrevivência se deu pela parceria com universidades e a necessidade de serviços legais dos municípios, que sozinhos não conseguem dar a resposta. As agroindústrias demandam soluções porque querem crescer", ressalta.
O gestor destaca que a carente estrutura pública dos municípios compromete a oferta de atendimento similar aos serviços de inspeção do Estado e União, gerando dificuldades para que as agroindústrias acessem mercados maiores. Na avaliação do diretor, já existe potencial econômico de nicho para ampliar a oferta a mercados maiores, condição que vai facilitar a venda no ganho de escala. "Já temos um bom número de empresas legalizadas que vendem localmente a maioria dos produtos. Mas um processo legalizado com as equivalências necessárias para vender em todo o País é vital", frisa.
- LEIA TAMBÉM: Greenskills
A consultoria para a implantação do serviço de inspeção é prestada aos municípios por profissionais habilitados, os quais orientam quanto à elaboração do arcabouço legal e às demais exigências necessárias para padronização e correto funcionamento do SIM. Para conferir legalidade à produção das agroindústrias de produtos de origem animal, a Admau disponibiliza um profissional para a criação e implantação da legislação, bem como para realizar a execução do serviço de inspeção.
Outro serviço supre a exigência legal de ter responsável técnico nas agroindústrias. Para sanar essa demanda, a entidade coloca à disposição do poder público, a possibilidade de contratar o responsável técnico como forma de incentivo às agroindústrias. O serviço também pode ser contratualizado diretamente pelos empreendimentos. Outra frente de atuação é o apoio às agroindústrias na venda da produção. Construído a partir do debate coletivo da governança, o selo Nosso Gosto identifica a origem geográfica dos produtos originários do APL. O selo dá destaque aos produtos pela sua identidade visual, garantindo também a qualidade sanitária.