Enquadrado no programa estadual em agosto de 2013, o APL das Agroindústrias Familiares do Vale do Taquari tem a participação de 40 agroindústrias familiares, duas cooperativas e sete empreendimentos nas áreas de artesanato, hospedagem e oferta de serviços de alimentação no meio rural, como pizzaria, café colonial e restaurante.
O organismo é gerido pela Fundação Alto Taquari de Educação Rural e Cooperativismo (Faterco), que tem sede junto ao campus da Universidade Estadual do Rio Grande do Sul. A coordenadora do APL, Eliane M. Kolchinski, destaca o recebimento de verbas públicas em vários exercícios, de forma intercalada, aplicados em projetos e na sustentação das atividades - o último repasse foi em 2021.
O APL das agroindústrias é um dos três organismos considerados enquadrados, com projetos em parceria com o Estado por meio de editais. "O próprio governo nos alertou que deveríamos trabalhar pela sustentabilidade do APL. Portanto, com ou sem governo, precisa funcionar, porque o projeto é muito importante. Precisamos de apoio, mas não podemos depender só do governo. Desde 2022 desenvolvemos diversas ações na região para assegurar os recursos necessários", enfatiza. A coordenadora reconhece, no entanto, que é preciso retomar o debate em torno da legislação dos APLs para fortalecer os existentes e ampliar para outras regiões.
Uma das prioridades é a promoção do turismo na região para melhorar a situação das agroindústrias, com as quais foi feito um trabalho de legalização e a realização de cursos de capacitação e gestão. A articulação iniciou em 2021, coincidindo com o anúncio da construção do Monumento Cristo Protetor, em Encantado. Em abril de 2023, o APL recebeu da Prefeitura uma área próxima ao ponto turístico e da Associação Amigos de Cristo um contêiner para a instalação de um espaço comercial.
Denominado de Armazém APL, o local passou por melhorias na infraestrutura em 2024, permitindo seu funcionamento aos sábados e domingos, das 8h30 às 17h, para a venda de produtos de 30 agroindústrias familiares associadas aos turistas que visitam o monumento e comunidade local. Em 2022, o APL criou um canal virtual de vendas de produtos dos associados, reestruturado no ano passado para facilitar o acesso às compras. No endereço é possível encontrar 168 itens à venda.
Eliane frisa que algumas agroindústrias estão preparadas e recebem turistas nas propriedades. Outras, no entanto, enfrentam falta de pessoal e estrutura para o atendimento. Nesses casos, conforme a coordenadora, a participação é por meio de produtos colocados à venda em eventos. "Pelo bom trabalho realizado, conseguimos parcerias importantes com o Sebrae, prefeituras, Amturvales, sindicatos de trabalhadores e outras entidades empresariais e públicas, o que facilita a geração de atividades, incluindo a participação em feiras e oferta de cursos. Algumas ações exigem recursos públicos, outras podem ser feitas de forma privada", comenta.
O APL participou, em 2024, do Promotur, ação organizada pela Amturvales e Sebrae em parceria com empreendimentos e instituições da região. O objetivo é promover o turismo do Vale do Taquari com a participação em feiras e eventos no estado e fora dele. Também é apoiador de projeto coordenado pela Amturvales que propõe a estruturação do turismo rural no Vale do Taquari a partir das agroindústrias familiares. O projeto é executado com recursos aprovados em Consulta Popular e beneficia 20 empreendimentos.
A coordenadora estima que a região tenha mais de 100 agroindústrias familiares, de diferentes portes. Destas, 40 participam de forma efetiva nos cursos e nas iniciativas. "Temos potencial para crescer, mas depende muito do interesse em aderir", salienta.
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Eliane define o programa do APL como importante para a economia da região, pois tem propiciado um trabalho coletivo, que ficou mais evidente durante dois momentos críticos no estado: na pandemia da Covid-19 e nas grandes enchentes dos últimos anos, responsáveis por impactos diretos e indiretos na comunidade, com perda de vidas e de bens. "O APL contribuiu na recuperação das empresas, trabalhou de forma apoiada, compartilhando máquinas, transporte e aprendizado. O grupo quer crescer em conjunto", reforça. Outro ponto é o envolvimento de fornecedores no sentido de promover compras coletivas de insumos.