Um dos mais recentes APLs reconhecidos pelo governo do Estado, em 2023, reúne empresas que atuam na extração e no beneficiamento de basalto na Região da Serra. São 17 municípios envolvidos, mas somente 12 ainda têm o segmento ativo: Antônio Prado, Casca, Fagundes Varela, Guabijú, Ipê, Nova Bassano, Nova Prata (polo do APL), Paraí (maior produtor), Santo Antônio do Palma, São Domingos do Sul, Veranópolis e Vila Flores.
Camila Turmina, coordenadora do APL, bióloga e responsável técnica do Sindicato da Indústria de Extração de Pedreiras de Nova Prata e Região, destaca que a atividade iniciou com a chegada de imigrantes europeus. A maioria vinda do Norte da Itália identificou na região relevos semelhantes aos que já conheciam e começaram a desenvolver a produção, inicialmente, para a construção de estruturas para o abrigo de animais, estendendo depois para moradias. "A atividade foi sendo repassada às gerações seguintes", salienta.
Camila cita como entraves a falta de mão de obra e de infraestrutura
Camila Turmina/Arquivo Pessoal/JC
Em 1980, tiveram início os registros de minerários e a criação do sindicato dos proprietários de pedreiras da região. Até o ano 2000, a atividade foi o motor econômico da região, tanto que Nova Prata conquistou, e ainda detém, o título de Capital Nacional do Basalto. Em 2010, começou a migração mais intensa da extração para municípios vizinhos, concentrando a maior produção em Paraí. Nova Prata tem a segunda posição, mas o maior número de empresas.
De acordo com Camila, o APL vinha sendo trabalhado há décadas, mas esbarrava na legislação que exigia um CNPJ para o funcionamento. Com a mudança na lei, o APL pôde ser vinculado a uma entidade, dando início à materialização por meio do sindicato. "O APL incentiva micro e pequenas empresas a desenvolver seu mercado, permitindo também que jovens permaneçam na zona rural em torno dessa produção", ressalta.
Serra busca preservar tradição centenária no setor; são estimados 5 mil empregos diretos na atividade
APL Basalto/Divulgação/JC
A coordenadora destaca que desde a década de 80, o setor passou por vários avanços significativos, como o retorno aos municípios de 75% do imposto arrecadado pela atividade para aplicação em melhorias na exploração mineral, como meio ambiente, infraestrutura de escoamento e educação. "Infelizmente, o recurso vai para o caixa único dos municípios, que não o aplicam de forma correta. Os acessos que eram ruins, pioraram com as enchentes e estão inviáveis. Estamos tratando desta questão junto aos prefeitos", alerta.
Outros entraves para a maior expansão da atividade são o fechamento de cavas por falta de mão de obra e a sucessão familiar. Com o fechamento, no entanto, tem início um longo trabalho de recuperação ambiental junto a mananciais de água e plantio de árvores.
A estimativa é que o Rio Grande do Sul possua cerca de 200 pedreiras de basalto. Na região do APL em torno de 150 empresas extraem e beneficiam o material e, dessas, 131 integram o organismo. São estimados 5 mil empregos diretos na atividade. Camila assinala que 90% são empresas familiares, localizadas em zona rural, e parte relevante tem a atividade como complemento de renda e emprega funcionários com mais de 50 anos, muito aposentados, que têm dificuldade de encontrar emprego em outras áreas.
Após a extração, o material segue para beneficiamento, que envolve corte e polimento, gerando novos itens. Estes materiais são direcionados, na maioria, para a construção civil, com destaque para as regiões de Porto Alegre, Caxias e Santa Maria, além de cidades no Paraná e Rio de Janeiro. "O basalto se ajusta a vários outros produtos, concorrendo com o porcelanato, com a vantagem da resistência, durabilidade e design natural. Deixou de ser aquela pedra de rua e entrou para o interior das casas", explica.
De acordo com Camila, o APL, juntamente com o sindicato, tem trabalhado fortemente na legalização da extração e beneficiamento por meio de programas ambientais com suporte de especialistas. Outra preocupação é produzir estudos de reserva mineral e de mercado, além de oferecer cursos de capacitação. "Não é atividade fácil, mas tem boa renda econômica", frisa. O organismo se mantém com as mensalidades dos associados do sindicato, mas já prepara projeto para participar de editais do governo estadual.
Em parceria com a Universidade de Caxias do Sul será desenvolvido um diagnóstico regional e sustentável da cadeia do basalto, visando prospectar reservas e mercados. Em 2023, integrantes do APL participaram de viagem institucional à Itália para conhecer a Escola de Mosaico de Fiuzi. Receberam informações sobre as técnicas de mosaicos com rochas, que serão transmitidas em forma de cursos para crianças ou pessoas com mais de 60 anos.
O basalto é uma rocha vulcânica e, devido à formação, permite a extração manual de suas camadas. Muito utilizada na construção civil, em itens como passeio público, pode ser usada também como artigo de beleza natural para ambientes internos.