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Publicada em 17 de Agosto de 2025 às 16:00

APL de Alimentos e Bebidas do Vale do Taquari é um dos mais recentes e representa segmento com mais de 1,2 mil indústrias em 36 municípios da região

APL de Alimentos e Bebidas do Vale do Taquari é um dos mais recentes e representa segmento com mais de 1,2 mil indústrias em 36 municípios da região

Fruki/Divulgação/JC
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Roberto Hunoff
Roberto Hunoff Jornalista
A evolução institucional de apoio a Arranjos Produtivos Locais (APLs ) no Rio Grande do Sul remonta aos anos 1990, antecipando-se inclusive à ação dirigida em nível federal. Em 1999, a então Secretaria do Desenvolvimento e dos Assuntos Internacionais criou o programa de apoio aos Sistemas Locais de Produção, base da política voltada aos APLs no Estado. Mas, somente em 2011, foi definido um regramento mais específico com a aprovação da Lei nº 13.839, instituindo a Política Estadual de Fomento à Economia da Cooperação, dando origem ao Programa Estadual de Fortalecimento das Cadeias e Arranjos Produtivos Locais.
A evolução institucional de apoio a Arranjos Produtivos Locais (APLs ) no Rio Grande do Sul remonta aos anos 1990, antecipando-se inclusive à ação dirigida em nível federal. Em 1999, a então Secretaria do Desenvolvimento e dos Assuntos Internacionais criou o programa de apoio aos Sistemas Locais de Produção, base da política voltada aos APLs no Estado. Mas, somente em 2011, foi definido um regramento mais específico com a aprovação da Lei nº 13.839, instituindo a Política Estadual de Fomento à Economia da Cooperação, dando origem ao Programa Estadual de Fortalecimento das Cadeias e Arranjos Produtivos Locais.
O ano de 2012 foi marcante para o fortalecimento do programa. O Decreto 48.936 instituiu uma nova organização para os APLs. Entre outras definições, passou a responsabilidade de reconhecimento e enquadramento de novos APLs para o Núcleo Estadual de Ações Transversais. Outro decreto fixou a delimitação dos organismos com base nas municipalidades, a partir dos Coredes, e a Classificação Nacional de Atividades Econômicas para orientar a definição das empresas passíveis de enquadramento. No mesmo ano ocorreu o lançamento do primeiro edital de seleção de projetos encaminhados pelos arranjos.
O governo sempre estimulou que os organismos buscassem a autossustentabilidade, apresentando projetos coletivos com capacidade para aumentar a competitividade das empresas. Os APLs precisam dar como contrapartida a governança, realizando ações para conseguirem se manter sem recursos públicos. Ao longo dos anos, os diferentes governos gaúchos vêm apoiando diversas aglomerações produtivas. No entanto, o apoio não foi linear, principalmente quanto à destinação de recursos via editais, que foram sendo reduzidos, motivo de argumentação para a suspensão das atividades por alguns APLs. Outro fator determinante para a descontinuidade dos projetos foi a pandemia da Covid-19.
Nessa condição está o APL da Agroindústria e Produção de Alimentos da Agricultura Familiar do Vale do Rio Pardo. Adair Pozebom, que atuou junto ao arranjo, recorda o enfraquecimento gradual ao longo dos anos e a desarticulação total com a pandemia. A Universidade de Santa Cruz foi a última entidade gestora e, no site do governo, está a indicação da Escola Agrícola Santa Cruz como provável futura gestora.
Pozebom, que é membro da escola, frisa que o programa foi importante e garantiu conquistas relevantes para o setor. Entre elas, um levantamento do potencial de industrialização e das demandas da atividade, a visibilidade por meio da participação em feiras e eventos, como na Oktoberfest e Expoagro Afubra, e o desenvolvimento de um app para conectar produtor e consumidor. "Acredito que é fundamental a retomada do APL, mas a coletividade, em conjunto com o poder público, precisa se mobilizar", afirma. Estima em torno de 180 o número de agroindústrias nos 23 municípios da região.
Situação semelhante ocorre com o APL Metal Mecânico Pós-Colheita, na Região Noroeste Colonial, tendo por base principal os municípios de Panambi e Condor. A entidade gestora é a Associação Centro de Inovação Tecnológica (Acitec), criada para garantir acesso a recursos públicos.
De acordo com Eduardo Sperb, diretor-executivo da Associação Comercial e Industrial de Panambi, o APL teve atuação contínua e efetiva até a pandemia, resultando em importantes avanços e benefícios. Entre as iniciativas destacam-se missões para feiras no exterior, como Hannover, na Alemanha, e visitas a Estados para conhecer outras realidades agrícolas. Foram organizadas oito edições do Tecnopós, evento dividido em rodadas de negócios, mostra tecnológica da indústria pós-colheita e seminários. Cursos de capacitação e um diagnóstico para apurar as potencialidades e desafios do setor também fizeram parte das atividades. "Estamos buscando formas de viabilizar a retomada do APL", garantiu.
Tendo como gestora a Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), Regional Rio Grande do Sul, o APL Eletrônico Automação e Controle está inativo desde a redução de verbas aportadas pelo Estado, situação agravada durante a pandemia da Covid-19. Conforme o gestor do projeto, Antônio Costa Sobrinho, o organismo precisou abrir mão dos trabalhos de um consultor que atuava junto às empresas do setor. "O APL, como os demais, teve um ótimo posicionamento inicial, mas foi minguando pela falta de recursos públicos e apoio institucional", argumenta.
O gestor salienta que a entidade mantém contatos com a Secretaria do Desenvolvimento Econômico visando criar condições para uma retomada mais concreta. "A Sedec sugeriu que a Abinee investisse valores para a manutenção do consultor, algo que não temos como assumir", afirma.
Sobrinho recorda que o APL recebeu valores em 2008 para investir em um site de vendas, que se manteve até a pandemia, quando foi descontinuado. "Era um projeto de risco, que não avançou como se pretendia por problemas comerciais", frisa. A plataforma digital Eletron Place, inédita no Estado, tinha o objetivo de aproximar demandantes e ofertantes, fomentando a geração de negócios e ampliando os horizontes das empresas participantes. O e-business era um ambiente para comercialização de produtos e equipamentos eletroeletrônicos para uso industrial e residencial.
O executivo frisa que o segmento é representativo no Estado, com empresas de diferentes portes e presença forte nas regiões de Porto Alegre e Caxias do Sul. Em torno de 100 empresas e 19 entidades participavam do APL, que agrega 10 municípios da Região Metropolitana do Delta do Jacuí, onde há grande concentração de universidades, centros de pesquisa, institutos de formação profissional e laboratórios.
 

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