Desde 2016, o Cineclube Academia das Musas vem construindo um espaço potente para a visibilidade de mulheres no audiovisual. Criado em Porto Alegre, o projeto nasceu das discussões do grupo de estudos Aurora e da tese de doutorado de Luiz Carlos de Oliveira Júnior.
A proposta inicial — refletir sobre as representações femininas nas telas — logo se aprofundou: o foco passou a ser o olhar de cineastas mulheres, explorando como constroem narrativas, símbolos e diálogos em suas obras.
Com mais de 230 filmes exibidos, de 186 diretoras de diferentes partes do mundo, o cineclube promove sessões gratuitas com debates abertos ao público, majoritariamente realizadas na Cinemateca Capitólio e na Sala Redenção da Ufrgs. Em 2020, durante a pandemia, adaptaram-se ao formato online com encontros virtuais, viabilizados por edital público.
Yasmin Borges, integrante do projeto desde 2020, destaca a força da pesquisa no grupo: "A gente gosta muito de buscar diretoras esquecidas pela história oficial do cinema. É um trabalho de resgate e de reflexão coletiva". Hoje, o grupo conta com cerca de 10 a 12 membros ativos.
Além das sessões regulares, o projeto também criou o "Cineclube Academia das Musas na Escola", iniciativa contemplada pelo edital Paulo Gustavo em 2023. A proposta levou o cinema para dentro da sala de aula, com sessões seguidas de debates em uma escola pública de Porto Alegre. Foram exibidos curtas-metragens como Barbosa 1988 (Ana Luiza Azevedo e Jorge Furtado), Só sei que foi assim (Giovanna Muzel), Eu não sou um robô (Gabriela Lamas) e Centenário da minha bisa (Cristyelen Ambrózio).
Outro destaque do cineclube é a Revista Academia das Musas, publicação anual que reúne textos críticos, ensaios e reflexões escritas pelas próprias integrantes sobre as obras exibidas e pesquisadas. A revista está disponível gratuitamente no site do projeto, reforçando o compromisso com a difusão do pensamento feminista e decolonial no campo do cinema.
Com curadoria sensível e afeto como método, o Cineclube Academia das Musas segue firmando sua missão: celebrar e aprofundar o debate sobre o cinema feito por mulheres e dissidências, promovendo a educação crítica e a diversidade cultural — dentro e fora das salas de cinema.