Perto de completar sua primeira década, em julho próximo, a Indicação de Procedência Farroupilha, caracterizada pela uva moscatel, é responsável por profunda transformação, ainda em andamento, no setor vitivinícola da cidade. Desorganizado e desunido no passado, o que quase levou à extinção dos plantios da uva moscatel, o setor está introduzindo mudanças importantes na economia local.
O primeiro passo data de 2005 com o surgimento da Afavin (Associação Farroupilhense de Vinhos, Espumantes, Sucos e Derivados), responsável por conduzir o processo de criação da IP. Entre 2009 e 2014 ocorreram os estudos de prospecção e mapeamento da área para definição dos regramentos da indicação, bem como seu registro junto aos órgãos públicos, com reconhecimento em 2015. Em paralelo, a entidade criou eventos, como o Festival do Moscatel e o concurso de vinhos, de forma a mobilizar o setor para investimentos na melhoria da qualidade dos produtos.
João Carlos Taffarel, diretor da entidade, recorda que muito se falava no grande volume de produção da variedade moscatel na cidade, mas sem uma informação concreta. Com a IP se deu a comprovação da importância da uva e, principalmente, a sua condição especial em Farroupilha. Destaca que a variedade branca, a principal, é única no Brasil e resultado de cruzamentos de uvas portuguesa e francesa.
Os resultados da IP já são visíveis na cidade. Os produtores de uva passaram a investir em novos plantios e na adoção de políticas mais sustentáveis, enquanto a indústria elevou sua capacidade de processamento e criou portfólio com diversidade de produtos à base de moscato.