Uma das mais recentes Indicações de Procedência na área de vinhos, a Altos Montes é uma área contínua localizada nos municípios de Flores da Cunha e Nova Pádua, totalizando 173,84km². Responsável pela IP, a Associação de Produtores dos Vinhos dos Altos Montes (Apromontes) tem 20 vinícolas associadas, das quais quatro já têm 15 rótulos no mercado com selo. Outros 40 passaram por avaliação e devem, em breve, estar liberados para consumo. "Investimos na IP para que o consumidor identifique os produtos da região por suas características próprias", afirma o presidente da entidade, André Tonet
Ele recorda que a IP teve registro autorizado em 2012, mas até 2020 nenhuma vinícola havia aderido. A partir daquele ano tiveram início as degustações às cegas para avaliação dos vinhos, elaborados com diferentes cultivares, com destaque para Tannat, Cabernet Sauvignon, Merlot, Chardonnay, Pinot Noir e Cabernet Franc. Em cinco anos, nenhum vinho avaliado foi reprovado.
A entidade estuda quais as variedades que melhor representam a identidade da região para dar encaminhamento futuro para uma Denominação de Origem. A Cabernet Franc, segundo Tonet, deve ser a cultivar referência na IP por ter um histórico representativo na região. "Foram encontradas na antiga Granja União, em Flores da Cunha, garrafas com vinho Cabernet Franc com mais de 70 anos, da época da Cooperativa Riograndense, e ainda próprias para consumo", frisa.
Com a boa adesão de empresas nos últimos anos, a associação agregou alguns requisitos para novos ingressos. As interessadas devem trabalhar com turismo, com atendimento aos visitantes, e elaborar vinhos finos. Para ter direito ao selo, a vinícola deve usar uvas de vinhedos da área delimitada e elaborar os vinhos na região.
Atualmente, a maioria das uvas é de plantios próprios das vinícolas. Outra parte vem de viticultores que precisam cumprir alguns requisitos, como ter condução de espaldeira e garantir uva de qualidade. De acordo com Tonet, os viticultores que aderiram às exigências estão recebendo valores acima do mercado, mas dentro de uma faixa compatível com as condições das vinícolas.
De acordo com Tonet, independentemente da IP, a qualidade dos vinhos é algo que não se discute mais. Para ele, a empresa de vinhos finos que não agir desta forma ficará sem mercado. "A concorrência interna e de importados é muito forte", ressalta. Também destaca a importância da indicação para garantir a procedência do vinho diante do alto volume de produtos falsificados em circulação no mercado, especialmente importados.
Além dos vinhos da IP, as vinícolas também têm uma linha comercial. Tonet estima em 15% a 20% a participação dos vinhos com selo na produção total, mas projeta expansão com a busca de novas variedades. Em termos de valoração do vinho com selo, estima em 20% a 30% na comparação com as linhas tradicionais.
Supermercados, lojas especializadas, delicatessen e o atendimento direto do turista são os principais canais de venda. De acordo com o presidente, atualmente toda a produção com selo é absorvida pelo mercado e, em alguns momentos, há falta de oferta. Razão para Tonet definir como maior desafio da associação o aumento de produção de uvas finas.
Localizada nas altitudes mais elevadas da Serra Gaúcha, entre 550 e 885 metros, a região possui clima temperado quente, com índices noturnos de noites temperadas. É a única Indicação Geográfica na Serra Gaúcha a apresentar esse clima.