Com data de registro em junho de 2011, a Indicação de Procedência (IP) Gramado está em uso pela indústria há pouco mais de um ano. Com delimitação ao território do município, a IP fixa padrões e normas para a fabricação do chocolate artesanal, produto que é herança da imigração europeia e uma das principais fontes de receita do município.
De acordo com Fabiano Contini, presidente da Associação da Indústria e Comércio de Chocolates Caseiros de Gramado (Achoco), entidade que detém a indicação, são ainda muito incipientes os resultados da iniciativa, atualmente assumida por quatro associadas da entidade. "Precisamos elevar os investimentos em marketing e na conscientização do consumidor para divulgar a IG. É o principal desafio, pois a maioria do público sequer sabe que existe uma IG, menos ainda o que ela significa", afirma.
O baixo número de empresas que aderiram também tem relação com custo de manter e cumprir com os preceitos estabelecidos na norma. Segundo Contini, a maioria dos associados não mostra intenção em aderir, pois sem o reconhecimento do consumidor, o fabricante não vê vantagens.
Soma-se a isto a necessidade de investir em equipamentos para o produzir a massa de cacau inteiramente na cidade, uma exigência da IG. De acordo com o presidente, o investimento é elevado, razão para que as empresas comprem o chocolate de fabricantes nacionais e importadores. "Boa parte das empresas não tem capacidade de fabricar o chocolate aqui. Também precisamos que os insumos sejam de produtores que atendam às normas, além de seguir práticas de produção. São desafios enormes diante de um retorno, até o momento, baixo", explica.
Entre os produtos da IP incluem-se as barras, as ramas, os bombons, as trufas, as drágeas e especialidades feitas de chocolate ao leite, branco, meio amargo e amargo. Não é permitido o uso de leite em pó, cacau em pó, soro de leite em pó e gordura vegetal ou gordura vegetal hidrogenada. As empresas participantes precisam, necessariamente, ter 100% da produção com selo da IG.
A história de Gramado foi diretamente influenciada pela imigração europeia no século 19 e início do século 20. Os europeus traziam habilidades artesanais na produção de diversos produtos, entre eles o chocolate. Em 1975 foi inaugurada a primeira fábrica de chocolate caseiro na cidade. Com a expansão das empresas produtoras, o produto tornou-se reconhecido nacionalmente, passando a ser comercializado além das fronteiras do Rio Grande do Sul.
Desde 1994 a cidade sedia, anualmente, o festival Chocofest. Em 2020, recebeu o título de Capital Nacional do Chocolate Artesanal. O município possui em torno de 25 fábricas de chocolate. Anualmente, mais de um milhão de quilos da guloseima são produzidos, cerca da metade para atender a demanda da Páscoa. A Achoco, no entanto, ainda não tem estimativa de qual é o volume de chocolate com selo da IG.