Após conquistar, em novembro de 2002, a primeira Indicação de Procedência do Brasil, o Vale dos Vinhedos, em Bento Gonçalves, foi a região pioneira a ter o reconhecimento com a Denominação de Origem para vinhos, em 2012. Atualmente, 11 empresas estão habilitadas para a venda de produtos com o selo. Na região demarcada, no entanto, há um total de 27 empresas, associadas da Aprovale (Associação dos Produtores de Vinhos Finos do Vale dos Vinhedos), que gerencia a DO. De acordo com Moisés Brandelli, diretor técnico da entidade, estão sendo realizados cursos e palestras para repassar informações sobre as vantagens da adesão e atrair mais empresas.
Brandelli destaca que, desde a criação dos primeiros rótulos, houve a percepção de mudanças pela elevação da qualidade dos vinhos e do reconhecimento mundial. Ele recorda que as regras da DO tiveram como base o histórico de regiões de outros países, da França em especial. A estimativa é que mais de 5 milhões de garrafas já foram comercializadas com o selo nestes anos.
Frisa que a Indicação de Procedência segue sendo fundamental para o setor, porque é a base de estudos e pesquisas para qualificar a DO, que sempre foi o objetivo principal da associação. "Até poderíamos excluir, mas entendemos que é importante a manutenção para se trabalhar outras variedades de uvas com tipicidade e expressividade para elevar ainda mais a régua da qualidade do produto", assinala. Alguns estudos já são realizados, mas Brandelli destaca que os resultados devem demorar alguns anos.
A Indicação de Procedência abriga vinícolas que não estejam contempladas na Denominação de Origem. Para a produção do vinho, é autorizado o cultivo de 12 cultivares de Vitis vinifera L. tintas e 11 de uvas brancas, sendo permitido o rendimento máximo de 150 hectolitros por hectare. Os produtos da IP são elaborados com, no mínimo, 85% de uvas produzidas na área delimitada.
As principais uvas da região demarcada com DO são a tinta Merlot e a branca Chardonnay. Como complementares são aceitas a Cabernet Franc, Cabernet Sauvignon e Tannat entre as tintas, e Pinor Noir e Riesling Itálico entre as brancas. A partir delas são elaborados vinhos brancos, tintos, roses e espumantes. Para ser apresentado como varietal, os vinhos precisam ter 85% da uva principal, casos da Merlot e Chardonnay. Também é possível elaborar cortes com 60% da uva principal.
Um dos efeitos sentidos foi a valorização do preço da uva pago ao viticultor. O valor passou de R$ 2,50 a R$ 3 no passado para atuais R$ 12. Para ser fornecedor é preciso seguir regras como sistemas de condução apropriado, colheita no momento certo, mudanças no plantio e vinhedo mais sustentável, dentre outras. "Está valendo a pena investir em melhorias dos vinhedos", afirma Brandelli. No entanto, a maior parte das uvas tem origem em plantios próprios das vinícolas.
Dentre as regras da DO está a exigência de que a uva seja plantada e o vinho elaborado na região demarcada. Para terem direito ao selo os vinhos passam por avaliação a cada safra junto ao Conselho Regulador. Os brancos podem ser vendidos de imediato, enquanto os tintos necessitam de 12 meses de guarda.
Na avaliação de Brandelli, os vinhos estão sendo valorizados pelo mercado por sua qualidade e não somente pelo selo da DO. Reconhece que os demais produtos elaborados na região, mas sem o selo, estão avançando com qualidade mais apurada, mas ainda valorados abaixo do que recebe um vinho de DO. Para o diretor executivo, um dos desafios é encontrar o equilíbrio em aumentar a produção de vinhos de DO e IP com a oscilação do mercado.