Mão de obra especializada é outra preocupação para o segmento, seja no restauro de peças, seja no atendimento ao público. Jonathan Franco destaca que costuma contratar pessoal para auxiliar nas feiras, mas tem encontrado dificuldades. "Quem trabalha conosco entende de antiguidades e é treinada para atender os clientes. Mas é algo que preocupa em função da demanda crescente do mercado", reconhece.
Quanto a restauro de peças, Franco argumenta que a maior parte é feita pela família, embora o propósito seja manter o estado original da peça, com o mínimo de intervenções. "O cliente gosta desta forma. Já teve casos que um determinado produto restaurado ficou anos à venda, enquanto um original, com defeitos, teve saída quase que instantânea", explica.
Ainda que tenha formado um grupo de restauradores para atender suas necessidades, Michele Censi reconhece que é uma condição preocupante e, principalmente, para o futuro. "De forma geral, são pessoas em idade avançada, que estão largando o ofício, ou falecem, sem que haja reposição", avalia. Motivo para que muitos restauros ocorram em outras cidades, como Porto Alegre, ou até mesmo no exterior. Caso de uma peça de relógio em produção na França. "É um mercado que também cobra muita paciência", ensina.
De acordo com Michele, são poucas as escolas para capacitar pessoas para o restauro de peças. Porto Alegre tem algumas ofertas, enquanto em Caxias as alternativas limitam-se a cursos mantidos pela congregação dos freis capuchinhos. Situação totalmente oposta da Europa, onde só na França funcionam 30 faculdades. "Lá existe uma demanda pela preservação do patrimônio histórico. O Brasil ainda é um país jovem e sem a consciência que deveria ter sobre a história. Isto vem numa crescente, mas a valorização ainda é mínima. Se não tenho quem restaure, também não consigo preservar uma memória", avalia.