O momento de tristeza, de perda da mãe, em 2019, fez com que Allan da Rosa colocasse em prática um desejo que cultivava há muito tempo e lhe despertava curiosidade, que era o mercado de antiguidades. Sem ter como guardar as centenas de artigos antigos que a mãe mantinha na residência, decidiu, juntamente com a esposa Daniela, fazer um evento para colocar os itens à venda.
Criou o Garage Sale Caxias, em linha com o conceito norte-americano em que as famílias colocam produtos à venda na própria residência, ocupando garagens, quintais ou varandas. Sem experiência na área de eventos, nem de antiguidades, convidou amigos para a primeira edição. "A iniciativa deu certo, pois o pessoal agregou a linha de antiguidades à minha proposta, que era muito mais a de um bazar. Percebeu-se que havia uma demanda muito grande", assinala.
O projeto sofreu revés com a pandemia de Covid-19, que inviabilizou a realização de eventos. Foi também o motivo para deixar a sociedade em uma loja de antiguidades para dedicar-se a outras atividades profissionais. Retomou no segundo semestre de 2021 e, desde então, realiza o evento a cada dois meses, atendendo, em especial, microempreendedores de segmentos diversos, como artesanato, gastronomia e itens antigos. Ainda promove encontro de colecionadores de miniaturas e de vinis.
A feira, com quase 30 edições, costuma reunir entre 50 e 60 expositores, que é a capacidade do local onde é realizada. A política da organização é ter uma linha diversificada e exclusiva de produtos. Também considera a reação do público consumidor, priorizando itens de maior aceitação e giro.
A maioria dos clientes é feminino, formado por mulheres acima dos 40 anos, que demonstram muito interesse por porcelanas. Também valorizam itens decorativos que remetem às avós. Já o vinil e as miniaturas têm um perfil mais masculino, na faixa dos 30 anos 50 anos. Rosa calcula em 3 mil pessoas o público que passa pelas edições atuais, que têm sido realizadas, em alguns casos, de sexta a domingo.
Nas últimas edições, Allan da Rosa tem observado uma procura crescente por discos de vinil e de CD's na feira. Na sua avaliação, já existe um público preocupado com a excessiva dependência da internet. "Não é abandonar a internet, mas ter outras possibilidades para acessar música, por exemplo. Sente-se que muitas pessoas começam a sentir falta disso", relata.
De acordo com Rosa, há uma sazonalidade no mercado, com procura diversa de produtos. Em alguns momentos, são canecos de chopp; em outros, as porcelanas, máquinas de escrever, relógios... "Uma novela pode mostrar algo que se torna referência e o público vem atrás", exemplifica.
Outro segmento importante apontado por Allan da Rosa é o de decoração para espaços em residências ou hotéis, onde há uma demanda crescente por móveis rústicos, como aparadores, com acabamento de qualidade. Organizadores de eventos também estão se tornando assíduos frequentadores. O idealizador ainda ressalta a importância deste mercado para influenciar a reutilização de produtos, evitando, inclusive, o descarte muito comum de itens que ainda podem ser aproveitados. Para Allan da Rosa, o cliente de antiguidades tem uma visão muito forte com sustentabilidade.
Uma das principais ferramentas do antiquário Jonathan Franco também é a realização de feiras a cada dois meses, nos fins de semana, que recebem até 4 mil pessoas por edição. "Recebemos clientes que vêm em grupos, inclusive de estados distantes, como Maranhão e Ceará. Já temos uma clientela fixa", relata.
É feita uma seleção de produtos, identificados por uma bolinha vermelha, que são vendidos com 30% de desconto. "De cada 10 pessoas que visitam a feita, nove saem com mercadoria", calcula. Franco calcula que as seis edições representam em torno de 20% a 30% da receita do antiquário no ano. "Cada feira é uma oportunidade de tocar as pessoas com histórias e sentimentos que atravessam o tempo. É um momento especial, é a chance de nos conectarmos com os clientes e dar-lhes a oportunidade de garimpar e descobrir algo único", acrescenta Taís Dall Agnol. Para 2025, o objetivo é ampliar a diversidade de peças e criar experiências ainda mais imersivas para os visitantes. O Armazém da Velharia também realiza uma feira a cada dois meses e recebe em torno de 2 mil interessados.