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Publicada em 19 de Janeiro de 2025 às 16:00

Pandemia de Covid modificou modelo de negócio

Michele sempre foi apaixonada por antiguidades e decidiu investir no mercado, adquirindo a Art Rarus

Michele sempre foi apaixonada por antiguidades e decidiu investir no mercado, adquirindo a Art Rarus

Eriel Giotti/Divulgação/JC
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Roberto Hunoff
Roberto Hunoff Jornalista
Advogada de formação e com vários anos de atuação na área jurídica, Michele Censi sempre foi uma apaixonada por antiguidades e frequentadora assídua de antiquários. Há seis anos, surgiu a oportunidade de se tornar mais ativa no mercado com a decisão dos fundadores da Art Rarus de vender o negócio, criado em 2007 para suprir um nicho de mercado que começava a ganhar corpo em Caxias do Sul. "Como já era cliente da loja, gostava de arte e surgiu a oportunidade, resolvi investir", ressalta.
Advogada de formação e com vários anos de atuação na área jurídica, Michele Censi sempre foi uma apaixonada por antiguidades e frequentadora assídua de antiquários. Há seis anos, surgiu a oportunidade de se tornar mais ativa no mercado com a decisão dos fundadores da Art Rarus de vender o negócio, criado em 2007 para suprir um nicho de mercado que começava a ganhar corpo em Caxias do Sul. "Como já era cliente da loja, gostava de arte e surgiu a oportunidade, resolvi investir", ressalta.
Reconhece que é um mercado difícil de atuar, principalmente para quem não tem experiência. Frisa tratar-se de um comércio bem diferente, que deve ser tratado mais como galeria do que como loja em razão do mix variado de produtos, que reúne esculturas, quadros, toalhas de mesa, porcelana, pratarias e cristais, dentre outros. "Temos aqui peças de 300 anos, produzidas no século 17", destaca.
Para Michele, o principal segredo de um antiquário é a capacidade de garimpar produtos diferentes e exclusivos. Reconhece que a Região da Serra é pouco fértil neste sentido, pois os imigrantes que aqui chegaram vieram com o mínimo necessário para iniciar a construção de uma nova vida. "Na maioria, são móveis simples do ponto de vista artístico. Já a memória afetiva é outra coisa", assinala. Diz receber muitas ofertas de produtos, mas poucas com o padrão exigido pelo antiquário. "Aqui é raríssimo encontrar, quando acontece gera uma alegria muito grande", afirma.
Esta condição faz com que o antiquário invista na importação de itens, a maioria da Europa. Para ter acesso a estes produtos, desenvolveu uma rede de parcerias para a garimpagem em diferentes países. "Prezo por peças diferenciadas, de maior valor agregado, que é a demanda do nosso público", assinala. Reconhece, no entanto, que é um mercado com consumidores distintos. "É bacana esta diversidade, porque algo mais simples também é um resgate de memórias. Quem trabalha com antiguidades é guardião de muitas histórias", reforça.
A aquisição no exterior agrega a preocupação com a logística, pois as cargas demoram para chegar e podem sofrer avarias adicionais, bem como desgastes em função de fenômenos climáticos. Esta é mais uma razão para que todos os itens passem por restauro, caso dos móveis e lustres, especialmente, além do polimento das pratarias e das peças em bronze. "Procuramos deixar o item impecável. Nos lustres chegamos a trocar a fiação, pois alguns ainda vêm com modelos em tecido", explica.
De forma geral, os antiquários trabalham com capital próprio, com o reinvestimento em novas peças a partir das vendas realizadas. Além do preço do item, é preciso investir em frete qualificado, tanto para vinda da peça do exterior, quanto na entrega local. Por fim, os custos de restauro e, em muitos casos, o longo tempo até a venda. "É preciso estudar e conduzir muito bem este processo, amparado em uma boa estratégia de marketing", esclarece.
O antiquário Art Rarus tem na decoração e arquitetura importante filão de consumo. Michele Censi explica que os profissionais levam os clientes até o espaço para escolhas conjuntas ou já trazem uma relação previamente definida. Outra razão para que as peças disponíveis passem por restauro e higienização, além da exposição em um ambiente agradável. "Os profissionais conseguem mesclar o contemporâneo com as antiguidades e se interessam muito porque estão levando itens exclusivos para os projetos. Boa parte dos consumidores ainda valoriza ambientes diferenciados, que pode ser oportunizado com antiguidades", ressalta.
Michele reconhece que a experiência adquirida lhe deu condições para direcionar a venda para determinado cliente, com perfil associado ao item. "O mercado de antiguidades é de oportunidades. Não só a questão financeira, mas encontrar as peças certas e exclusivas", frisa. Os itens como maior procura são cômodas, que mesmo com a troca das tendências do mobiliário, segue como peça coringa, espelhos, cristaleiras, porcelanas e taças de cristal.

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