Renato Franco é um dos mais conhecidos e tradicionais nomes do mercado de antiguidades, em Caxias do Sul. O aposentado de 74 anos, com passagem rápida pelo ramo da gastronomia, dedicou praticamente toda a sua vida aos itens antigos. Primeiro como acumulador de bens, prática que foi base para tornar-se, posteriormente, um negociante informal de compra e venda. Tinha apreço por placas, esculturas, pratarias e móveis, dentre outras peças colecionáveis. À época, seus filhos Jonathan e Abba sequer tinham nascido. Mas ambos foram atraídos para a atividade.
Nascido em 1982, Jonathan Franco pegou gosto, entre os anos 1994 e 1995, por carros antigos, também de interesse do pai. Em paralelo ao negócio de venda de peças para atender um mercado em expansão, tornou-se colecionador de outros itens, que o levaram, em 2002, a criar um antiquário que leva seu nome, administrado em parceria com a esposa Taís Dall Agnol e o filho Iricy, de 13 anos, que deu início à terceira geração, dedicando-se a colecionar bicicletas. "Comecei com uma coleção, que foi aumentando e repetindo peças, quando decide vender. A paixão virou um negócio", recorda.
A pequena coleção transformou-se em um grande negócio de antiguidades, que lota um pavilhão de 500 metros quadrados, de construção também antiga, e prestes a ganhar mais um espaço, dedicado ao Museu do Rádio e do Relógio. "Muito tempo atrás comecei a colecionar rádios antigos. Tenho agora a meta de montar o maior museu do rádio e relógio do Rio Grande do Sul. Já temos mais de 600 rádios e 400 relógios", frisa. Ainda não há local definido, tampouco a data de início da atividade. "O mais importante, que é o estoque, eu já tenho", celebra. O antiquário abriga mais de 50 mil itens de valor histórico. "São peças que foram passando por várias gerações de imigrantes na Serra", assinala.
De acordo com Franco, o público comprador é bem variado, de jovens a pessoas com mais idade, em função da grande diversidade de itens. Dos conteúdos disponíveis, em torno de 30% a 40% têm origem no exterior, adquiridos de colecionadores nacionais. "Tenho uma coleção de máquinas de escrever americanas", frisa.
Tem sido comum também utilizar peças antigas em apartamentos novos por uma decisão pessoal do cliente. O interessado costuma ir até a loja, escolher as peças, filmá-las e informar o decorador ou arquiteto do seu desejo. Outro formato de venda é na própria residência do cliente que quer se desfazer das peças. De acordo com Franco, é feita uma seleção de itens para o antiquário e o restante é vendido no imóvel. "O pessoal tem gostado bastante dessa forma, mas o nosso foco principal continua sendo a venda no antiquário", assinala.
Franco não trabalha com peças em consignação, que é comum em outros locais. Segundo ele, é uma prática que dificulta a negociação no momento da venda, impedindo a concessão de descontos. "A gente não é dona da peça. Por isso, temos de vender pelo preço já fixado, sob pena de termos de assumir a diferença caso o fornecedor não aceite alterações", explica. A compra de produtos e administração do estoque são integralmente mantidas com recursos próprios.