Porto Alegre,

Anuncie no JC
Assine agora

Publicada em 08 de Dezembro de 2024 às 16:00

Estado busca atrair grandes consumidores de energia

Marjorie Kauffmann, secretária do Meio Ambiente e Infraestrutura do RS

Marjorie Kauffmann, secretária do Meio Ambiente e Infraestrutura do RS

/FERNANDA FELTES/JC
Compartilhe:
Jefferson Klein
Jefferson Klein Repórter
Para ter crescimento de oferta de energia é preciso ter incremento de demanda. Nesse contexto, o governo gaúcho tenta criar um ambiente positivo para a instalação de grandes consumidores de eletricidade, como é o caso de data centers e plantas de hidrogênio verde (combustível que é obtido através do processo de eletrólise empregando energia de fontes renováveis).
Para ter crescimento de oferta de energia é preciso ter incremento de demanda. Nesse contexto, o governo gaúcho tenta criar um ambiente positivo para a instalação de grandes consumidores de eletricidade, como é o caso de data centers e plantas de hidrogênio verde (combustível que é obtido através do processo de eletrólise empregando energia de fontes renováveis).
A secretária do Meio Ambiente e Infraestrutura, Marjorie Kauffmann, cita como exemplo o protocolo de intenções que foi assinado pela Scala Data Centers e o governo gaúcho. A empresa pretende construir um data center na cidade de Eldorado do Sul, que na sua etapa inicial já irá absorver um investimento direto de R$ 3 bilhões. Contudo, para um futuro mais distante, a ideia é mais ambiciosa, a da consolidação de uma verdadeira "cidade dos data centers", com a ampliação do serviço destinada, especialmente, ao mercado de Inteligência Artificial.
Essa expansão significaria uma demanda para atender à necessidade do complexo de cerca de 4,75 mil MW (suficiente para suprir toda atual demanda média de energia do Rio Grande do Sul). "O mundo, com o avanço da tecnologia, principalmente com a inteligência digital, vai precisar de muita energia e a questão política, econômica e ambiental focará nas capacidades de gerações limpas e renováveis para subsidiar esses grandes empreendimentos", prevê Marjorie.
Outra oportunidade vislumbrada pela secretária é a implantação de unidades de hidrogênio verde. "No momento que a gente tiver uma planta de hidrogênio, vamos ter muita demanda de energia", enfatiza a secretária. Ela frisa que o Estado tem um enorme potencial para aumentar sua capacidade de geração eólica onshore e offshore.
É possível aproveitar o hidrogênio para ações como armazenar e gerar energia por meio de células de combustível (em veículos de pequeno, médio e grande porte, como automóveis e caminhões), assim como pode servir como insumo para a produção siderúrgica, química, petroquímica, alimentícia e de bebidas e para o aquecimento de edificações. A partir do hidrogênio verde também é viável obter a amônia verde, usada pela indústria de fertilizantes.
No entanto, Marjorie faz a ressalva que não é em cinco anos que acontece uma transformação como a pretendida para o Rio Grande do Sul, através do hidrogênio verde e de um hub de tecnologia. "Mas, o caminho que a gente está construindo para a energia renovável vai dar condições para isso e muito mais", diz a secretária.
A secretária enfatiza que há a manifestação de interesse de grandes empreendimentos eólicos para se instalarem no Estado, como é o caso do projeto Três Divisas. Inicialmente com a previsão de ser implementado com uma potência de 810 MW, o complexo, que será construído em áreas dos municípios de Alegrete, Quaraí e Uruguaiana, reduziu a sua estimativa de capacidade instalada para 400 MW (o equivalente a cerca de 22% da potência das usinas eólicas em operação atualmente no Rio Grande do Sul). Mesmo assim, o investimento na iniciativa continua sendo robusto: R$ 3 bilhões.
De acordo com Marjorie, a energia eólica, como nesse caso, tem potencial para contribuir para o desenvolvimento de uma região que apresenta carência econômica, assim como conciliar sua operação com a atividade agrícola. Esse cenário é percebido mais acentuadamente no Centro-Oeste e Sul do Rio Grande do Sul. Ela recorda ainda que, recentemente, houve a revisão do zoneamento eólico do Estado, pelo Conselho Estadual do Meio Ambiente (Consema), que atualizou as fragilidades ambientais que precisam ser observadas no momento de implantação de uma estrutura eólica. "Precisamos de instrumentos para dar segurança e trazer investidores", assinala.
 

Notícias relacionadas