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Publicada em 12 de Maio de 2024 às 16:00

"É um estado com potencial de expansão na atividade", diz Ambra

Abióptica/divulgação/jc
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Roberto Hunoff
Roberto Hunoff Jornalista
Estimativas de organizações empresariais são de que a indústria de cuidados oftalmológicos e de óculos teve faturamento superior a US$ 182 bilhões em 2023, com expectativa de crescimento nos próximos anos. A expansão é atribuída ao envelhecimento da população, aumento da incidência de doenças, como miopia e presbiopia, e a necessidade crescente de correção ocular em razão de consumidores de todas as idades gastarem mais tempo na frente de dispositivos digitais. De acordo com estas mesmas estimativas, o Brasil é o sétimo mercado no ranking dos 10 maiores do mundo, que tem a liderança dos Estados Unidos.
Estimativas de organizações empresariais são de que a indústria de cuidados oftalmológicos e de óculos teve faturamento superior a US$ 182 bilhões em 2023, com expectativa de crescimento nos próximos anos. A expansão é atribuída ao envelhecimento da população, aumento da incidência de doenças, como miopia e presbiopia, e a necessidade crescente de correção ocular em razão de consumidores de todas as idades gastarem mais tempo na frente de dispositivos digitais. De acordo com estas mesmas estimativas, o Brasil é o sétimo mercado no ranking dos 10 maiores do mundo, que tem a liderança dos Estados Unidos.
De acordo com a Abióptica (Associação Brasileira da Indústria Óptica), o setor consolidou, no ano passado, R$ 26 bilhões de faturamento, com expectativa de crescimento de 7% em 2024. O Rio Grande do Sul é o sexto maior mercado entre os estados, com faturamento na casa de R$ 1 bilhão. O segmento é formado, essencialmente, por óticas, com cerca de 2,8 mil empresas, responsáveis por 7 mil empregos. "É um estado com potencial de expansão na atividade", projeta Ambra Nobre Sinkoc, diretora executiva da entidade.
A executiva recorda que a atividade é um setor de bens duráveis, que sofreu muito com a pandemia da covid-19. A receita mensal, entre janeiro e abril de 2020, caiu de R$ 2,2 bilhões para R$ 430 milhões. "A impressão era de que todos fechariam. A solução foi fazer os governos entenderem que éramos atividade essencial, porque as pessoas precisavam manter a saúde visual, o que garantiu a abertura das lojas", recorda.
Ao longo dos demais meses, o setor iniciou a retomada das vendas e a curva ascendente se manteve nos anos seguintes, o que permitiu recuperar o faturamento pré-pandemia. Até 2014, a atividade evoluiu dois dígitos anuais. Desde então, com exceção dos anos críticos da pandemia, mantém alta na faixa de 7% a 8%.
De acordo com Ambra, o setor é diferenciado porque atua com duas vertentes importantes, que são a saúde visual e a moda tendência. Também contribuiu na recuperação o fato de as pessoas terem se conectado mais na pandemia, o que levou à percepção de que não enxergavam tão bem assim. "As pessoas optaram por trocar seus óculos por lentes melhores, colocar filtros e aproveitar as tecnologias oferecidas, o que fez o varejo iniciar uma transformação e a oferecer experiências ao consumidor. O setor se diferenciou e há uma mudança de cultura em andamento. Não se trata de uma bolha", afirma. Ela define a pandemia como um ponto de referência do que está acontecendo com o setor, que é um dos que mais está mudando.
Outro investimento foi na capacitação do quadro de colaboradores para vender as novas tecnologias ao consumidor mais conectado. Para Ambra, o varejo também precisa levar a experiência do virtual para dentro da loja. Da mesma forma preocupar-se com o perfil do público a ser atendido, com ênfase naquele formado por mais de 156 milhões de brasileiros com rendimentos de até três salários mínimos. "O atendimento de qualidade não pode se restringir ao cliente da parte de cima da pirâmide, onde está o ticket de valor mais elevado. Precisa oferecer o serviço de visagismo, fundamental na escolha dos óculos. Quando bem escolhidos, os óculos também ressaltam a beleza natural da pessoa", salienta.
A avaliação da executiva é de que o setor tem potencial grande de crescimento. Fundamenta a afirmação em dado da Organização Mundial da Saúde, que aponta para a necessidade de alguma correção visual por 50% da população. No Brasil, em números absolutos, seriam em torno de 102 milhões de pessoas.
Outro dado que reforça a expectativa é que 12% da população infantil do mundo necessita usar óculos. Esta condição está diretamente relacionada à pandemia, quando as crianças tiveram pouco tempo ao ar livre e não exercitaram a visão para longe, que se desenvolve do zero aos sete anos. "Se a criança não brinca em algum lugar que ela enxerga de longe, ela não desenvolve a visão para longe. Então, vamos ver agora uma pandemia de crianças míopes. Felizmente, com tratamento, dá para diminuir a doença", estima.
Ambra cita que, a pedido da entidade, o IBGE inseriu em pesquisa uma pergunta sobre quantas pessoas na família tinham algum problema de visão. O número chegou a 81 milhões. A segunda pergunta era se desses que relatam doença quantos usam óculos: apenas a metade.
Para ela, esta situação exige mudanças na forma de encaminhar o tratamento por meio da receita oftalmológica. "Atualmente, o consumidor precisa ir à loja até três vezes para receber os óculos. É preciso investir em tecnologias, que facilitem a vida do consumidor, e reduzam esta jornada longa", argumenta.
Ambra também adverte para problema intrínseco à segunda questão, quando a pessoa não percebe a doença visual. Segundo ela, em outras patologias há sinais mais evidentes, que levam o paciente a procurar um médico. "No caso da visão, isto é pouco comum. O trabalho preventivo poderia ser iniciado nas escolas por meio de observações", sugere. Também comentou que a maior causa de cegueira no mundo é o erro refrativo, ou seja, o uso de óculos com grau errado, adquirido em farmácias ou de ambulante. Outro alerta é sobre a utilização de óculos de sol sem filtro, que leva a queimaduras na retina, que pode ser determinante para uma cegueira.
 

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