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Publicada em 10 de Março de 2024 às 16:00

Conjunto caminhão-semirreboque elétrico inicia operação em área de mineração no Chile

Primeiro conjunto elétrico utiliza sistema auxiliar de recuperação de energia durante a frenagem em descidas

Primeiro conjunto elétrico utiliza sistema auxiliar de recuperação de energia durante a frenagem em descidas

/Juniko Bondan/divulgação/jc
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Roberto Hunoff
Roberto Hunoff Jornalista
Apresentado como protótipo em 2019 e liberado para venda em escala comercial no final de 2022, o e-Sys é o primeiro módulo de tração auxiliar com motor elétrico para veículos rebocados da América Latina. A solução foi desenvolvida pela Suspensys, controlada da Randoncorp, e em aplicação nos implementos pesados fabricados pela Randon.
Apresentado como protótipo em 2019 e liberado para venda em escala comercial no final de 2022, o e-Sys é o primeiro módulo de tração auxiliar com motor elétrico para veículos rebocados da América Latina. A solução foi desenvolvida pela Suspensys, controlada da Randoncorp, e em aplicação nos implementos pesados fabricados pela Randon.
Os primeiros conjuntos totalmente elétricos de semirreboques e caminhões para o transporte de cargas das Américas começaram a operar no Chile, no final de 2023. Os equipamentos são aplicados pela mineradora chilena SQM no transporte do processo de extração de minério. Dentre as novidades, está o desenvolvimento de um modelo elétrico de semirreboque tanque para o transporte de salmoura de lítio, em uma configuração customizada para a complexidade do processo produtivo em que está aplicado. Outro modelo, também em operação, é um basculante para o transporte de minério.
O módulo utiliza sistema auxiliar de recuperação de energia gerada durante a frenagem em descidas, capacitando a carreta a ajudar o caminhão a transpor aclives de forma mais eficaz e segura. Dependendo da aplicação, das condições da rodovia e do tipo de carga transportada, o novo sistema gera economia de combustível que pode chegar a até 25%, propiciando, também, menor desgaste dos componentes e menor emissão de resíduos no meio ambiente.
De acordo com Claude Padilha, diretor de vendas, marketing e gestão de rede da Randon, a rodagem em clientes no período de 2019 a 2022 gerou aprendizado importante. A organização percebeu que a premissa inicial focada no TCO (total cost of ownership - custo total de propriedade), ainda que importante pela redução no consumo de combustível, foi superada pela visão das grandes empresas em torno da transição energética. "Notamos que o retorno do investimento não é fator decisivo para a descarbonização, mas sim a crença da companhia em torno da sustentabilidade ambiental. Foi uma mudança grande neste negócio e que ampliou o mercado", comentou.
O executivo relata que a Randon já tem mais de 70 oportunidades de negócios mapeadas para 2024, algumas já fechadas. "O ano de 2022 foi de comunicação de que a solução é segura. Em 2023, tivemos as primeiras vendas e um debate maior no mercado. Este ano será de maturação, com entregas mais intensas. Estamos até surpresos com a procura pelos clientes", observa. No Brasil, os primeiros clientes foram a CMPC e a Transportadora Tomasi.
As principais negociações têm ocorrido junto aos grandes geradores de cargas, principalmente nos segmentos de carga geral industrializada, com uso de baús e siders frigorificados ou não, e florestal. "As empresas geradoras de carga nestes segmentos já têm esta visão de sustentabilidade com abrangência global", observa. Padilha indica as longas distâncias percorridas com caminhões extrapesados como as aplicações que mais têm despertado a atenção dos clientes, pois o sistema contribui na elevação da autonomia dos veículos. Pondera, no entanto, que não existe concentração de mercado, que será ocupado de forma gradual. "A presença destas grandes empresas amplia o portfólio de oportunidades e faz com que as transportadoras busquem se diferenciar para participar deste movimento", avalia.
A rede de concessionários também está mobilizada em torno do projeto, não apenas prospectando clientes, mas criando as condições para suportar o atendimento de qualquer demanda de mercado. "Neste momento, temos uma equipe de tecnologia da Randon ajudando no treinamento do cliente. É preciso entender que é uma forma diferente de dirigir o equipamento. Se atua desde o mapeamento de rotas, que é fator decisivo para o sucesso, pois em topografias muito planas o sistema não se justifica. A equipe participa da implantação, calibra o equipamento, faz as primeiras viagens, treina e, após, acompanha", detalha. 

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