Uma das grandes tendências mundiais do agronegócio, a produção sustentável, levou a Tecnóloga Agropecuária, mestre e doutora em Fitotecnia pela Faculdade de Agronomia da Ufrgs Camila Correa Vargas a criar a BioIn, uma startup voltada para o desenvolvimento de novas tecnologias para controle biológico de pragas nas lavouras. "O controle biológico é o futuro da agricultura, pois garante produtividade, não deixa resíduos, permite a produção de uma forma muito mais sustentável, muito mais limpa com produtos que não impactam a saúde do agricultor, do consumidor final e não agridem o meio ambiente", afirma Camila.
Ela conta que a vida acadêmica na Fagro iniciou em 2014, quando fez mestrado e doutorado na área da fitotecnia, voltada para o estudo de genética, pragas e doenças das plantas. "Fiquei seis anos trabalhando com pesquisa na minha pós-graduação, dentro do departamento de fitossanidade da Agronomia da Ufrgs. A BioIn nasceu da minha tese de doutorado", diz a pesquisadora. Durante a pós-graduação, a estudiosa focou a pesquisa dela em um inseto específico, que combate ovos de lagartas no campo, e com isso, consegue controlar as lagartas antes mesmo que elas nasçam. "Foi daí que partiu a startup, pois esse inseto é de uma espécie bastante difundida e conhecida, só que não tinha disponibilidade para os produtores. Tínhamos o conhecimento, mas não o produto".
A BioIn trabalha três produtos: BioIn Trico-P, para controle de lagartas a partir de uma vespa, chamada Tricograma pretiosum que controla os ovos que darão origem às lagartas no campo. "Eliminamos o dano antes que o dano nasça: essa vespa coloca o ovo dela dentro do ovo da lagarta, que dará origem à lagarta, e ao invés de nascer uma nova lagarta, nasce uma nova vespa. Esse é um produto que pode ser utilizado em lagartas presentes em produção de grãs ou horticultura", explica a pesquisadora. O segundo produto é o BioIn Longicau-D para controle de mosca das frutas, promovido pela vespa Doachamimopha longicaudata. É um produto biológico que controla a larva da mosca das frutas dentro dos próprios frutos, reduzindo muito o dano dos mesmos. "Temos um terceiro produto para controle de ovos que darão origem à percevejos, principalmente no cultivo da soja, pensando em soja e arroz orgânico, que está aguardando a fase final do registro no Ministério da Agricultura", antecipa Camila.
Segundo ela, a BioIn já tem projetos de estudos sobre novas espécies para controle de pragas na agricultura, pois existe uma gama enorme de insetos-pragas no campo, em diferentes cultivos no Brasil. Ter esses produtos para o produtor comprar é fundamental quando se pensa, não só em agricultura orgânica, mas uma agricultura mais sustentável e racional, em uma produção que possa utilizar mais de um produto, fazer um manejo integrado de pragas, até mesmo utilizando um produto químico, mas de uma forma racional e consorciada com o produto biológico.
"Não adianta a gente fomentar a agricultura orgânica, sem possibilitar que os agricultores tenham acesso aos insumos biológicos. Estamos pegando um pedacinho muito pequeno de um mercado que é enorme no Brasil, e que tende a crescer cada vez mais", afirma Camila. Em relação aos resultados, os produtores têm um ganho na produção e produtividade, pois reduzem os danos e, em alguns casos, salvam todo o cultivo, além da agregação de valor, pois por ser um alimento orgânico, é certificado e tem melhor valor de mercado.