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Responsabilidade Social

- Publicada em 23 de Julho de 2023 às 19:27

Educação popular transforma territórios

Aulas são ministradas em uma área localizada na praça central da Vila Barracão, na Zona Sul de Porto Alegre

Aulas são ministradas em uma área localizada na praça central da Vila Barracão, na Zona Sul de Porto Alegre


/Isabelle Rieger/Especial/JC
A praça central da Vila Barracão, na Cruzeiro, zona Sul de Porto Alegre, comporta uma quadra de futebol, diversas árvores frutíferas, um conjunto de equipamentos de ginástica, a casa da associação de moradores e a sede do Cursinho Popular Guilherme Soares. Na altura do número 110 da rua Dona Helena, o espaço oferece aulas gratuitas no turno da noite tanto para a preparação para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) como para reforço escolar e é coordenado pelo movimento Levante Popular da Juventude. O espaço público de socialização e lazer é ponto de referência para a comunidade da Barracão. Da praça, é possível ver de cima parte da paisagem da capital gaúcha.
A praça central da Vila Barracão, na Cruzeiro, zona Sul de Porto Alegre, comporta uma quadra de futebol, diversas árvores frutíferas, um conjunto de equipamentos de ginástica, a casa da associação de moradores e a sede do Cursinho Popular Guilherme Soares. Na altura do número 110 da rua Dona Helena, o espaço oferece aulas gratuitas no turno da noite tanto para a preparação para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) como para reforço escolar e é coordenado pelo movimento Levante Popular da Juventude. O espaço público de socialização e lazer é ponto de referência para a comunidade da Barracão. Da praça, é possível ver de cima parte da paisagem da capital gaúcha.
Vinte e um é o número de educandos matriculados no momento em que a reportagem esteve no local. Os estudantes são jovens moradores das comunidades da Grande Cruzeiro, com maioria da Vila Barracão. Já o corpo docente é integrado por voluntários e militantes do movimento. As aulas iniciaram no dia 13 de junho e funcionam na modalidade de semi-extensivo de preparação para a prova do Enem.
O professor de sociologia e coordenador do cursinho, Tomaz Brunet, explica que a integração do território traz nova perspectiva para a comunidade. No Brasil, pelo menos 7,1 milhões de brasileiros entre 14 e 24 anos - parcela correspondente à juventude - não estuda nem trabalha por problemas com renda, trabalho não remunerado de cuidado com outro integrante da família, pela falta de qualificação e incentivo profissional. Eles são chamados de "jovens nem-nem".
A construção do cursinho popular, termina Tomaz, possibilita a criação de "novos horizontes" para os estudantes, aumentando suas possibilidades de futuro e fortalecendo sua autoestima. Enquanto ele fala, crianças brincam na mesa em frente ao quadro da sala de aula, alternando entre os papéis de professor e aluno.
Rodrigo Mendes é morador da Vila Barracão e quer cursar Direito. Ele já havia iniciado seus estudos preparatórios para o vestibular em um cursinho popular no centro da cidade. No entanto, por dificuldade de locomoção, Rodrigo não conseguiu mais frequentar as aulas. Agora, com o pré-vestibular perto de casa, a preparação para o ingresso no Ensino Superior é retomada. O território foi uma preocupação da coordenação do cursinho. Tomaz, coordenador, comenta que não é usual pré-vestibulares estarem inseridos fora do eixo centro.
Já Ryan Lisboa tem 17 anos e está matriculado no 1º ano do Ensino Médio em um colégio técnico. Ele é um dos que participam das aulas à noite para auxiliar em suas disciplinas na escola e mora em uma das casas em frente à praça. Quando perguntado por que se matriculou, ele responde que é pela dificuldade - no momento - em matemática. A irmã mais velha de Ryan, Vitória Lisboa, também é aluna do cursinho. Ela está inscrita no Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos (Encceja) para finalizar o terceiro ano do Ensino Médio.
Vitória já tentou outras vezes, mas, neste ano, espera conseguir finalizar a etapa da educação básica. Ryan, durante a entrevista, reclama das condições precárias da periferia e aponta para crianças que julgou como vestidas de forma inadequada para a frente fria que assola o Rio Grande do Sul. "Minha maior meta, depois de terminar o Ensino Médio, é ver a favela bem", conclui.
A educação popular e a transformação social são eixos transversais na proposta pedagógica: Paulo Freire, patrono da educação brasileira, tem sua cara estampada na fachada. Além das disciplinas, o projeto prevê a realização de atividades na praça, a limpeza do espaço e o plantio de árvores - que já está ocorrendo. A transformação imediata da praça, então, ocorre pela integração com a comunidade.
 

Guilherme Soares era um jovem querido na comunidade

Espaço busca homenagear o adolescente que também integrou o Levante Popular da Juventude a partir de 2013

Espaço busca homenagear o adolescente que também integrou o Levante Popular da Juventude a partir de 2013


/Isabelle Rieger/Especial/JC
Guilherme Soares é o nome de um jovem morador da Vila Cruzeiro que faleceu no início de 2023. Ele também integrou o Levante Popular da Juventude a partir de 2013 e é lembrado como uma pessoa querida por seus amigos e companheiros de movimento.
"O Gui era muito animado", lembra Cícero Silveira, professor da disciplina de História.
O cursinho já estava sendo planejado pela coordenação do Levante e a ideia de homenagear o Gui, como é conhecido, foi inevitável. "O nome das pessoas que já tombaram em espaços de uso comum é uma forma de lembrá-los sempre", comenta Tomaz, coordenador. O luto e a memória, então, são respeitados.